Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2026

Presidente do COI critica qualidade do ar na China

Alarmado com a poluição do ar na China, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, afirmou que a poluição vai atrapalhar algumas provas esportivas nas Olimpíadas de Pequim, previstas para começar em 8 de agosto de 2008 (Leia Mais).

Quarta, 08 de Agosto de 2007 às 08:02, por: CdB
Enquanto os relógios começam a fazer a contagem regressiva oficial para as Olimpíadas de Pequim - falta um ano para o evento - o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, se mostrou alarmado com a gravidade da poluição em Pequim.

Ele e outros membros do COI estão na capital chinesa, participando da celebração marcando o tiro de largada para as Olimpíadas, que conta com mais de 10 mil convidados, entre líderes políticos, celebridades e autoridades olímpicas.

Durante entrevistas com a imprensa, Rogge chegou a afirmar que a poluição pode prejudicar algumas provas esportivas.

- Em esportes de resistência, como ciclismo, nos quais é preciso competir durante seis horas, poderemos ter que adiar as provas - admitiu.

Em entrevista ao canal de televisão norte-americano CNN, Rogge afirmou ainda que colocará a saúde dos atletas em primeiro lugar.

- Teremos planos de contingência - disse.

Estada prolongada

Seu colega John Coates, presidente do Comitê Olímpico Australiano, que também está na China, chegou a reconhecer que recomendará aos esportistas australianos viajarem a Pequim só cinco dias antes do início de suas modalidades.

Coates calcula que uma estada prolongada num ambiente tão contaminado como este pode interferir no desempenho físico dos atletas.

- Isso só iria aumentar as chances de eles contraírem doenças respiratórias ou gástricas, ainda mais se você não está adaptado ao lugar - justificou.

Os governantes chineses estão se desdobrando para resolver o problema. Mas reconhecem que não há muito tempo até a cerimônia de abertura dos Jogos, dia 8 de agosto de 2008.

Entre as medidas anunciadas para o período das competições, Pequim reduzirá em mais da metade o tráfego de carros no centro da cidade e bombardeará as nuvens com iodeto de prata para provocar chuvas artificiais.

A idéia é conseguir um céu mais azul, já que nesta época do ano é notória a cinza e úmida camada de poluição que envolve a paisagem.

Anfitriã

Custo

O governo chinês reconheceu no mês passado que 60% das cidades do país sofrem regularmente com a poluição do ar e não têm tratamento adequado de esgoto.

Além disso, 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo são chinesas, segundo o Banco Mundial.

O organismo internacional inclusive publicou, em março, um relatório intitulado O Custo da Poluição na China, informando que os altos níveis de poluição do ar na China provocariam entre 350 mil e 400 mil mortes prematuras ao ano.

Outras 300 mil mortes prematuras anuais seriam provocadas pela má qualidade do ar em ambientes fechados, enquanto que doenças como diarréia e cânceres provocados pela má qualidade da água, principalmente nas áreas rurais, provocariam a morte de cerca de 60 mil pessoas ao ano.

Segundo denúncias do jornal inglês Financial Times, a versão final do documento teria sofrido cortes pela censura chinesa. Mesmo assim, o informe preliminar já dizia que o custo total da poluição para o país representa cerca de 5,8% do Produto Interno Bruto da China. Além da sua imagem arranhada.

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