Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Presidente do CNS critica criação de fundações para administrar o SUS

Quinta, 15 de Novembro de 2007 às 11:50, por: CdB

Com os aplausos dos cerca de quatro mil presentes na abertura da 13ª Conferência Nacional de Saúde, o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior, criticou a proposta do governo de criação de fundações estatais de direito privado para gerir o Sistema Único de Saúde (SUS).

– Nós temos que fazer esse debate com muita tranqüilidade e com muita responsabilidade. Não podemos permitir que propostas que não se contrapõem aos problemas que existem e que aprofundam as distorções que existem sejam implementadas – afirmou Francisco Júnior.

O presidente do CNS afirmou que o Estado brasileiro, bem como a saúde, sempre foram loteados por grupos e corporações organizados.

– E isso também aconteceu na gestão do SUS e na gerência dos serviços, apesar das honrosas exceções que nós sabemos muito bem que existem – disse.

Francisco Júnior defendeu a profissionalização da gestão e da gerência de serviços a partir dos quadros de profissionais que já existem no SUS.

– A nossa perspectiva é de termos o trabalhador da saúde, aquele que trabalha com a saúde do seu semelhante, e não como trabalhador que pode ser demitido a qualquer momento.

O presidente do Conselho Nacional de Saúde alertou para a necessidade de se enxergar a saúde de forma mais abrangente, dando prioridade à prevenção de algumas doenças que ainda afligem o Brasil.

– Não podemos ter um programa maravilhoso de transplantes, não podemos ter um programa maravilhoso de combate ao HIV, não podemos ter um programa maravilhoso de vacinação, e sermos vergonhosamente campeões de tuberculose no mundo – afirmou.

Para Francisco Júnior, o povo brasileiro precisa de outras formas de trabalhar na saúde, o que significa começar a dar prioridade efetivamente à atenção básica. Segundo ele, saúde deve ser mais que apenas assistência.

– Educação é saúde, sim; combate à violência no trânsito é saúde, sim; combate à violência familiar é saúde, sim; emprego e renda é saúde, sim – enfatizou.

A 13ª Conferência Nacional de Saúde prossegue até domingo, com a discussão central pautada no tema Saúde e Qualidade de Vida: Políticas de Estado e Desenvolvimento.

Os debates ocorrerão em mais três eixos: desafios para a efetivação do direito humano à saúde no século 21, o SUS na seguridade social e a participação da sociedade na efetivação do direito humano à saúde.

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