O presidente chileno, Ricardo Lagos, condenou o atentado que destruiu uma filial do Banco do Estado em Santiago ontem e justificou a designação de uma juíza especial para investigar o ataque sob a lei antiterrorista.
"Não há idéias, não há demandas por mais justificadas que sejam, pedidos por mais indispensáveis que sejam (...), que possam ser conseguidos destruindo a propriedade. Não queremos um país onde explodem bombas", assinalou o governante.
Ele acrescentou que, com a mesma força que combate a delinqüência e o flagelo da droga, seu governo "vai dizer não à violência irracional que ontem emergiu através de um artefato explosivo" e vai "defender a paz e tranqüilidade no Chile".
"A sociedade em seu conjunto -ressaltou- deve impedir que a ameaça terrorista volte a intimidar os chilenos".
Lagos justificou desta forma a designação de uma juíza especial para investigar a explosão da bomba que destruiu a filial do banco estatal e outros locais no setor sul de Santiago, atentado cuja autoria foi assumida pelo grupo até hora desconhecido "Julio Guerra, Operativo Sur".
O grupo assinalou que o ataque foi uma represália à demora do Parlamento em estudar um projeto de lei para libertar 30 pessoas presas por terem cometido delitos terroristas que estão a dez ou mais anos na prisão.
Sete dos presos realizam, desde o dia 12 de abril, um jejum de alimentos sólidos por sua liberdade.
A juíza María Teresa Letelier foi nomeada hoje para investigar o atentado de quinta-feira, em virtude da lei antiterrorista.
Esta lei, promulgada em 1984 pelo ex-ditador Augusto Pinochet (1973-1990), permite que a investigação seja feita em segredo e que os suspeitos sejam detidos por períodos prolongados sem que haja acusações contra elas.
Também implica condenações mais severas e exclui a possibilidade de indultar os sentenciados.
O Chile é considerado um dos países com menos violência na América Latina, mas, nas últimas semanas, houve uma série de ataques que geraram preocupação na população e alertaram o governo.
O atentado contra o banco se somou à destruição observada na terça-feira passada de uma filial do McDonalds, durante um protesto de universitários feito em Santiago, e à explosão, um dia depois, de duas bombas de baixo poder em um condomínio particular.
Estes atentados se somam às detonações de bombas que aconteceram na semana passada durante a reunião de ministros de Comércio do Fórum Econômico Ásia Pacífico (APEC), no balneário de Pucón, no sul do país.
A cadeia de ataques começou no último dia 3 de junho com a explosão que destruiu parte de um oleoduto na cidade de Talcahuano, a 531 quilômetros ao sul de Santiago.