Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Presidente do Chile acha prazo para desarmamento muito curto

Sábado, 08 de Março de 2003 às 14:39, por: CdB

O presidente do Chile, Ricardo Lagos, disse neste sábado, que 17 de março é um prazo "muito curto" e deixa muito pouco espaço para demonstrar que o Iraque está cumprindo com o desarmamento, ao referir-se à proposta apresentada ontem ao Conselho de Segurança da ONU por EUA, Grã-Bretanha e Espanha. Em entrevista à rádio chilena W, Lagos contou que falou com o presidente americano George W. Bush por telefone na última sexta-feira. "O que ele solicitou era um apoio à resolução que delinearam ontem. Ele me disse que as remodelações dessa resolução tinham a ver com os apontamentos feitos pelo Chile, e lhe indiquei que ainda tínhamos que estudá-la cuidadosamente, mas via que deixava muito pouco espaço" para o desarmamento, disse Lagos. Questionado pelos jornalistas sobre se era possível conseguir o desarmamento do Iraque antes de 17 de março, o presidente chileno disse ser "muito difícil" O projeto apresentado ontem por EUA, Grã-Bretanha e Espanha pode ser votado na próxima semana no Conselho de Segurança de Nações Unidas, ao qual o Chile ingressou em 1 de janeiro como membro não-permanente. "É impossível obter aquilo (o desarmamento do Iraque) em um prazo daqui a 17 de março", disse Lagos, ao tempo em que acrescentou que entende o esforço da resolução dos EUA de dar um prazo adicional, mas ressalta que "esse prazo ainda é muito pequeno". Também comentou que é preciso haver "maior clareza sobre quais são as exigências concretas que nestas matérias se deseja fazer a Saddam Hussein". "Isto não ficou claro para a opinião pública e é indispensável fazê-lo. Isso é o que estivemos pedindo nos últimos 15 dias", disse o governante chileno. "A destruição dessas armas pode demorar dois, três ou quatro meses", acrescentou. O chefe de Estado também afirmou que o que mais o preocupa é que as Nações Unidas estão "em uma situação muito crítica". "Queremos preservar as Nações Unidas como o corpo onde sejam tomadas as decisões. Se as decisões são tomadas fora do organismo acho que será muito negativo", afirmou. O presidente chileno reconheceu também que ontem, sexta-feira, manteve comunicação com seus pares do Peru, da Colômbia e do México, a que explicou a postura que Chile manteve nas Nações Unidas. Disse que o Chile fez "um apontamento sério" e disse primeiro que quer que os cinco grandes cheguem a um consenso, para estar ao lado deles colaborando para que se chegue a um entendimento e não para "esconder-nos atrás deles". Também, e em alusão a opiniões da oposição de direita que disse que o Chile pagará alto por fazer parte do Conselho de Segurança, o governante disse que o país está aí "porque foi eleito e porque assume responsabilidades". "Acho que os países não pagam custos quando tomam decisões, os países o que fazem é fixar seus princípios nestes foros", afirmou. Lagos também descartou que o Tratado de Livre Comércio que o Chile negociou com os EUA possa ter alguma influência sobre o voto do Chile no Conselho de Segurança. "O Tratado de Livre Comércio não é um presente que os EUA deram ao Chile nem muito menos um presente do Chile aos EUA. O tratado foi assinado porque é em benefício para que ambos os países tenham uma capacidade de um comércio mais ativo entre ambos", garantiu.

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