O presidente do Chile, Ricardo Lagos, disse neste sábado, que 17 de março é um prazo "muito curto" e deixa muito pouco espaço para demonstrar que o Iraque está cumprindo com o desarmamento, ao referir-se à proposta apresentada ontem ao Conselho de Segurança da ONU por EUA, Grã-Bretanha e Espanha. Em entrevista à rádio chilena W, Lagos contou que falou com o presidente americano George W. Bush por telefone na última sexta-feira. "O que ele solicitou era um apoio à resolução que delinearam ontem. Ele me disse que as remodelações dessa resolução tinham a ver com os apontamentos feitos pelo Chile, e lhe indiquei que ainda tínhamos que estudá-la cuidadosamente, mas via que deixava muito pouco espaço" para o desarmamento, disse Lagos. Questionado pelos jornalistas sobre se era possível conseguir o desarmamento do Iraque antes de 17 de março, o presidente chileno disse ser "muito difícil" O projeto apresentado ontem por EUA, Grã-Bretanha e Espanha pode ser votado na próxima semana no Conselho de Segurança de Nações Unidas, ao qual o Chile ingressou em 1 de janeiro como membro não-permanente. "É impossível obter aquilo (o desarmamento do Iraque) em um prazo daqui a 17 de março", disse Lagos, ao tempo em que acrescentou que entende o esforço da resolução dos EUA de dar um prazo adicional, mas ressalta que "esse prazo ainda é muito pequeno". Também comentou que é preciso haver "maior clareza sobre quais são as exigências concretas que nestas matérias se deseja fazer a Saddam Hussein". "Isto não ficou claro para a opinião pública e é indispensável fazê-lo. Isso é o que estivemos pedindo nos últimos 15 dias", disse o governante chileno. "A destruição dessas armas pode demorar dois, três ou quatro meses", acrescentou. O chefe de Estado também afirmou que o que mais o preocupa é que as Nações Unidas estão "em uma situação muito crítica". "Queremos preservar as Nações Unidas como o corpo onde sejam tomadas as decisões. Se as decisões são tomadas fora do organismo acho que será muito negativo", afirmou. O presidente chileno reconheceu também que ontem, sexta-feira, manteve comunicação com seus pares do Peru, da Colômbia e do México, a que explicou a postura que Chile manteve nas Nações Unidas. Disse que o Chile fez "um apontamento sério" e disse primeiro que quer que os cinco grandes cheguem a um consenso, para estar ao lado deles colaborando para que se chegue a um entendimento e não para "esconder-nos atrás deles". Também, e em alusão a opiniões da oposição de direita que disse que o Chile pagará alto por fazer parte do Conselho de Segurança, o governante disse que o país está aí "porque foi eleito e porque assume responsabilidades". "Acho que os países não pagam custos quando tomam decisões, os países o que fazem é fixar seus princípios nestes foros", afirmou. Lagos também descartou que o Tratado de Livre Comércio que o Chile negociou com os EUA possa ter alguma influência sobre o voto do Chile no Conselho de Segurança. "O Tratado de Livre Comércio não é um presente que os EUA deram ao Chile nem muito menos um presente do Chile aos EUA. O tratado foi assinado porque é em benefício para que ambos os países tenham uma capacidade de um comércio mais ativo entre ambos", garantiu.
Presidente do Chile acha prazo para desarmamento muito curto
Sábado, 08 de Março de 2003 às 14:39, por: CdB