O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, sugeriu quinta-feira a criação de um Fundo Intergeracional de Riquezas para o Brasil como forma de poupança para gerações futuras, incluíndo recursos previdenciários. Ele participou da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) realizada no Palácio do Planalto.
Citando o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, que fez um balanço da produção de petróleo no País, Coutinho afirmou que o tamanho da província petrolífera brasileira já identificada é de tal magnitude que é preciso repensar as regras na exploração do mineral.
De acordo com Coutinho, essa riqueza tem uma representação de tal escala que ela nem sequer deve ser repensada para a atual geração, mas também para as futuras.
- Eu creio que a construção de um Fundo Intergeracional de Riqueza como a Noruega tem, e grandes países que têm grandes riquezas naturais, deva ser pensada - enfatizou.
Coutinho afirmou ainda que não se trata de deixar de remunerar a iniciativa privada, mas, sim, de contribuir, com mudanças legais, para o desenvolvimento de todos os brasileiros. O presidente do BNDES defende uma discussão sobre o tema, pois considera que o patrimônio nacional mudou de forma significativa com uma nova "constelação de riquezas".
O presidente do BNDES também mostrou preocupação com o destino dos recursos provenientes dos royalties do petróleo. Ele sugeriu mudanças nos royalties pagos a estados e municípios pela exploração dos poços petrolíferos.
- Acho que as regras precisam ser repensadas, as regras legais. Não é possível imaginar dilapidar isso de uma maneira pontual, com royalties mal calibrados. É preciso ter royalties sim, mas a calibragem disso precisa ser repensada - disse Coutinho.
Para ele, é preciso gerenciar as riquezas que o país produz hoje, pensando no amanhã.
- Olhar isso ao longo do tempo. Isso é uma riqueza que perdurará para várias gerações, varias décadas. É algo que tem que ser repensando em uma perspectiva de 60, 70 ou 80 anos à frente. Então, nós precisamos olhar isso com outro olhar - afirmou.