O presidente do Banco do Japão, Masaaki Shirakawa, fez um alerta nesta sexta-feira, ao dizer que os problemas continuam se acumulando na segunda maior economia do mundo. Segundo o presidente do BC japonês, a contínua queda das exportações e os preços muito baixos praticados no país estão afetando o potencial de crescimento da economia e o sistema bancário. Shirakawa reconheceu que o Banco Central tem adotado políticas não convencionais para dar suporte à economia, que mergulha cada vez mais na recessão, mas disse que já tem considerado de maneira razóavel como irá abandonar estas políticas de uma vez.
– As exportações caíram acentuadamente no quarto trimestre e as finanças corporativas pioraram, o que está pressionando a economia de diversas maneiras. Isso aconteceu não só no Japão, mas outras partes do mundo. A piora da atividade econômica nos últimos três meses foi muito severa – disse Shirakawa ao comitê de Orçamento da Câmara Baixa do Parlamento japonês nesta sexta-feira.
A desaceleração econômica global afetou fortemente as exportações japonesas e a produção de carros e eletrônicos, e a economia do país parece estar a caminho da mais longa recessão dos tempos modernos.
Terrível
A Toyota Motor, a maior montadora de automóveis do mundo, é um desses fatores que influencia no declínio da atividade econômica japonesa. A empresa previu um prejuízo anual muito maior que aquele que havia estimado há apenas seis semanas. A maior montadora de veículos do mundo tenta cortar sua produção rápido o bastante para se enquadrar à grande queda nas vendas globais.
A Toyota iniciou o atual ano fiscal com uma previsão otimista de produzir 8,87 milhões de veículos nos 12 meses seguintes até o final de março. Nesta sexta-feira, porém, a empresa informou que prevê a produção em 7,08 milhões, queda de um quinto depois que a empresa colocou cerca de 30% de suas linhas de produção sob apenas um turno.
– O ambiente de vendas piorou dramaticamente no mês passado nos principais mercados do Japão, América do Norte e Europa – disse o vice-presidente-executivo da montadora, Mitsuo Kinoshita.
Para o ano até final de março, a Toyota espera agora um prejuízo operacional de 450 bilhões de ienes (US$ 4,95 bilhões), três vezes maior do que tinha estimado no final de dezembro, mas desta vez dentro da média das previsões de 18 analistas consultados pela Reuters Estimates. A Toyota alterou sua estimativa de desempenho anual de um lucro de 50 bilhões de ienes para um prejuízo de 350 bilhões de ienes. O prejuízo será o primeiro a ser registrado pela montadora desde 1950.
No terceiro trimestre fiscal, entre outubro e dezembro, a Toyota teve um prejuízo operacional de 360,6 bilhões de ienes ante lucro um ano antes de 601,6 bilhões de ienes. O prejuízo líquido do trimestre passadou somou 164,6 bilhões de ienes contra ganho um ano antes de 458,7 bilhões de ienes. A receita despencou 28%, para 4,8 trilhões de ienes.
– Isso é absolutamente terrível. Mas as expectativas sobre as medidas econômicas dos Estados Unidos e sua efetividade têm apoiado a ação da companhia e isso deve continuar mesmo depois do resultado. Ainda assim, se algo der errado nesse sentido, a ação pode ser abatida de novo – disse Yoshinori Nagano, estrategista-chefe da Daiwa Asset Management.
Bolsa Geladeira
Na Europa, onde os reflexos da crise econômica mundial são cada vez mais percebidos no setor automobilístico, o governo da Itália aprovou medidas semelhantes ao programa Bolsa Geladeira, adotado pela equipe econômica brasileira. A administração Berlusconni anunciou, nesta sexta-feira, a assinatura de decreto que cria pacote de ajuda à indústria de veículos do país e que inclui incentivos de 1,5 mil euros para consumidores trocarem automóveis antigos por novos, informou uma fonte do governo. O decreto também deve oferecer incentivos para setores de eletrodomésticos e móveis.