O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quarta-feira a saída de Antonio Francisco de Lima Neto da presidência do Banco do Brasil.
– A informação que eu recebi do ministro (Guido Mantega) ontem é que ele (Lima Neto) queria sair – disse Lula a jornalistas.
Uma fonte no banco informou que, embora não seja oficial, o atual vice-presidente de Cartões e Novos Negócios de Varejo do BB, Aldemir Bendine, já é considerado o próximo substituto de Lima Neto.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, concede uma entrevista a jornalistas às 13h sobre o assunto. Mais cedo, uma fonte do Palácio do Planalto informou à agência inglesa de notícias Reuters que o governo havia decidido mudar a chefia do banco por "pura incompatibilidade com as políticas do governo".
– Não foi só juros, havia outras questões que justificam a decisão – acrescentou a fonte, referindo-se ao patamar de juros cobrado pelo banco que teria gerado a insatisfação do governo num momento em que se tenta reduzir os spreads bancários no país.
Segundo a fonte, a demissão já era discutida há mais de 15 dias, mas se consolidou apenas nesta quarta-feira, pela manhã.
Às 12h03, as ações do BB perdiam 6% na Bovespa, para 17,75 reais, enquanto o principal índice da bolsa subia 0,4%.
Redução do spread
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que a redução do spread cobrado pelos bancos em empréstimos ao consumidor é uma "obsessão" para ele e que os bancos públicos devem atuar para forçar a redução da taxa.
As declarações foram dadas em meio a perguntas sobre os motivos que levaram à saída do presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto, anunciada nesta quarta-feira.
– A redução do spread bancário neste momento é uma obsessão minha. Nós precisamos fazer o spread bancário voltar à normalidade no país – disse o presidente a jornalistas após compromisso.
– Nós precisamos fazer o spread bancário voltar à normalidade no país... O (ministro da Fazenda) Guido (Mantega) sabe disso, o Banco do Brasil sabe disso, a Caixa Econômica sabe disso, o Banco Central sabe disso. Não há nenhuma necessidade de o spread bancário ter subido tanto no Brasil de julho para cá – acrescentou.
O patamar de juros cobrado pelo BB teria gerado insatisfação do governo e sido um dos motivos para a saída de Lima Neto:
– Nós estamos numa fase em que o BC e a Fazenda estão estudando isso e obviamente que quem tem bancos públicos como tem o Brasil pode através dos bancos públicos começar essa tarefa de reduzir as taxas dos spreads bancários.
Presidente do BB pede demissão depois que Lula reclama dos juros
Quarta, 08 de Abril de 2009 às 12:30, por: CdB