Rio de Janeiro, 21 de Maio de 2026

Presidente do Banco Mundial quer mais ajuda para Darfur

Sexta, 17 de Junho de 2005 às 06:10, por: CdB

O presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, disse na sexta-feira que o mundo - inclusive o banco - deveria fazer de tudo para ajudar a região de Darfur a se recuperar do sofrimento provocado pelo genocídio.

Em sua primeira viagem à África desde que assumiu o cargo, em 1o. de junho, Wolfowitz disse a jornalistas em Ruanda:

- Tenho certeza que mais coisas podem ser feitas. As pessoas estão se empenhando nisso, eu sei, em alguns governos - disse.

Na véspera, ele qualificara de genocídio a situação em Darfur, uma remota região no oeste do Sudão onde dezenas de milhares de pessoas foram mortas numa guerra civil iniciada em 2003.

Nesta sexta-feira, ao falar sobre como o resto do mundo poderia ajudar a conter a violência, ele afirmou:

- O genocídio é algo que tem profundos efeitos em sociedades durante um longo tempo, e parte do processo de cicatrização tem de ser o desenvolvimento e a redução da pobreza.

Wolfowitz disse que não detalharia como o Banco Mundial, maior banco de empréstimos de desenvolvimento do planeta, poderia se envolver nesse processo, mas afirmou ter certeza de que a instituição terá um papel importante após o fim dos combates.

- Torço para que o Banco Mundial faça tudo o que for possível para apoiar o processo - declarou.

O Banco Mundial reabriu em janeiro seu escritório no Sudão, após mais de 10 anos de ausência, e em março prometeu normalizar em um ano suas relações com o país, altamente endividado.

O Sudão é mal visto pelos credores internacionais desde que deixou de pagar parcelas da sua dívida. O Banco Mundial estima que seu débito de 25 bilhões de dólares precisa ser reduzido em entre 5 bilhões e 6 bilhões antes que o Sudão possa novamente tomar empréstimos da entidade.

Alguns ativistas de defesa dos direitos humanos defendem que o Sudão perca o direito a empréstimos e doações, como forma de pressionar Cartum a resolver o problema de Darfur, onde mais de dois milhões de pessoas fugiram das suas casas e milhares morrem a cada mês.

Com 334 projetos e compromissos de 16,6 bilhões de dólares, o Banco Mundial é o maior fornecedor de assistência ao desenvolvimento na África.

Wolfowitz, que falou a jornalistas após reunião com o presidente de Ruanda, Paul Kagame, está visitando quatro países da África, continente que, segundo ele, será sua prioridade à frente do banco. Depois de passar por Nigéria e Burkina Fasso nesta semana, ele encerra sua viagem na África do Sul.

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