O presidente do Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo (Saesp), Reginaldo Alves de Souza, disse nesta segunda-feira, em entrevista coletiva convocada para tratar da situação de ex-funcionários da VarigLog, que a empresa demitiu 750 aeroviários e 650 deles ainda não receberam as indenizações a que têm direito.
- As parcelas de 2006 e 2007 estão atrasadas e as famílias, que estão dependendo desses valores, estão passando por dificuldades sérias. Algumas, estão sendo despejadas e outras até perdendo a casa, por não poder pagar as parcelas - disse Souza.
Para tentar forçar a empresa a pagar as indenizações, representantes do sindicato devem pedir na Justiça a retirada dos valores necessários para a quitação desses valores devidos.
- Se não conseguirmos, faremos uma paralisação pela falta de responsabilidade da VarigLog - disse o sindicalistas.
Segundo ele, também é desconfortável a situação dos aeroviários (funcionários do setor aéreo que trabalham em terra) que trabalham na empresa, que estão atravessando um momento em que são submetidos a pressões psicológicas e má-remuneração.
- Há pressão para que as aeronaves sejam liberadas rapidamente pelos responsáveis pela operações de manutenção, tanto para diminuir o tempo dos aviões parados, por conta da busca pelo lucro, quanto para evitar que a companhia pague as taxas para a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária - disse o presidente do sindicato.
De acordo com Souza, o piso salarial de um mecânico de aeronaves é o de R$ 983,85, considerado defasado pelos profissionais que, para exercer a função, precisam ser qualificados por cursos homologados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Já o de auxiliar de mecânico gira em torno de R$ 666,20 e o de um agente de proteção de bagagem é de R$ 701,40.
- Ou seja, um salário muito baixo para as funções e a pressão psicológica que os funcionários sofrem - afirmou o presidente do Saesp.