Ricardo Gonçalves, presidente da Parmalat Brasil Indústria de Alimentos por um ano e dez meses, renunciou a seu cargo na manhã desta quinta-feira. A saída, na prática, é reflexo de uma intervenção judicial no grupo determinada no final da tarde desta quarta-feira, pelo juiz da 42ª Vara Cível de São Paulo, Carlos Henrique Abrão. O executivo encaminhou uma carta de renúncia ao Conselho de Administração da companhia.
Carlos Henrique Abrão determinou, por meio de sentença judicial, a destituição de Gonçalves do cargo para que uma pessoa, a ser indicada pela Justiça, tome o seu lugar. Esse escolhido será um "interventor", segundo consta na notificação encaminhada pela Justiça à Parmalat Alimentos, que ocupará funções de presidente.
Um oficial de Justiça do Fórum de São Paulo encaminhou a sentença a Gonçalves por volta das 17h de quarta, para que ele fosse informado da decisão. Ao tomar conhecimento, o notificado é obrigado a atender a determinação.
Thomas Felsberg e Carlos Aidar, advogados da empresa, estiveram no Fórum durante a tarde, em contato com o juiz, para tentar reverter a situação e devem entrar com um pedido de agravo (recurso) contra a sentença ainda nesta quinta-feira.
O desenlace
A crise culminou com uma determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo liberada na tarde desta quarta. Nela, o desembargador Mohamed Amaro permitiu que um dos processos da Parmalat do Brasil - que tem como credor o banco Sumitomo - voltasse para as mãos do juiz Abrão, da 42ª Vara Cível. Com o processo em mãos, o juiz deu a sentença solicitando a destituição de Gonçalves.
Dias antes, na sexta-feira, o tribunal havia determinado que o processo fosse encaminhado para a 29ª Vara Cível. Abrão, porém, encaminhou um "pedido de reconsideração" ao tribunal e o pedido foi aceito.
Gonçalves já se preparava para sair da empresa. A falta de recursos para honrar os compromissos da companhia e a expectativa de um forte corte no quadro de funcionários, que deve ocorrer ainda nesta quinta-feira, desestimularam o executivo. A decisão da justiça acelerou o seu processo de saída.
Semana passada, rumores de que Gonçalves já estava demissionário surgiram no mercado. Assim como a expectativa de que poderá ocorrer uma redução no atual número de diretores da Parmalat Alimentos. Na Itália, a empresa é investigada de fraude comandada pelo seu fundador. No Brasil, a Justiça investiga com o apoio da polícia.