Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Presidente da Funai negocia com índios desocupação no ES

Sexta, 07 de Outubro de 2005 às 07:10, por: CdB

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes, desembarcou nesta sexta-feira no Espírito Santo para negociar o fim da ocupação da sede da Aracruz Celulose por cerca de 200 índios tupiniquins e guaranis, que querem a posse de uma área da empresa, invadida recentemente por eles.

A ocupação do prédio da empresa começou na manhã de quinta-feira. Os indígenas, entre eles muitas mulheres e crianças, arrombaram os portões do pátio e ocuparam ante-salas e corredores dos escritórios. Na quinta-feira à noite os manifestantes permaneciam na fábrica e diziam que deixariam as instalações somente com a chegada do presidente da Funai.

O presidente da Funai decidiu viajar após uma longa reunião em Brasília com a diretoria da Funai, na tarde desta quinta-feira.

Mércio Gomes embarcou às 11h em Brasília com destino a Vitória e de lá seguir diretamente para o município de Aracruz, no norte do estado. Segundo a assessoria de imprensa da Funai, o presidente da fundação só vai conversar com os manifestantes se eles se comprometerem a deixar o prédio. Ocupar a área, uma propriedade privada, é um ato ilegal, na visão da Funai.

Em 1997, foi homologado o direito de as tribos ocuparem 12 mil hectares de terra na região de Aracruz. Entretanto, o grupo quer a expansão da área em 6 mil hectares. A grande questão é que o terreno incide justamente sobre uma plantação de eucalipto.

A assessoria de imprensa da Funai explicou que o processo solicitando a expansão da área indígena de 12 mil hectares para 18 mil hectares já está na Consultoria Jurídica do Ministério da Justiça.

Os documentos chegaram no ministério há alguns meses e ainda estão sendo analisados. Não há previsão de quando a consultoria terá uma resposta para o grupo.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, segundo assessores, somente vai se manifestar caso a Funai não consiga solucionar o problema.

O gerente de relações com a comunidade da empresa, Jessé Marques, disse que a Aracruz está assustada com a atitude dos índios. 

- Ficamos perplexos com a agressividade dos índios. A questão está na Justiça. Se a decisão for em favor dos índios, a empresa vai cumprir sem problemas. Mas não podemos admitir este tipo de atitude agressiva. Não é essa a relação que temos com essa comunidade, que no geral é ordeira - afirmou Jessé.

Índios de nove aldeias guaranis e tupinikins de Aracruz ainda ocupam a fábrica da Aracruz Celulose. Os indígenas reivindicam a regularização de uma área de 11 mil hectares.

Os articuladores do movimento afirmam que só deixarão o local depois de uma reunião entre o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, e os caciques. A Funai afirma que a negociação vai acontecer somente após a retirada de todos os indígenas da área da indústria.

Na manhã desta sexta-feira, alguns índios estavam dormindo na grama e em frente ao prédio da empresa, onde funcionam os setores de engenharia, manutenção e recursos humanos.

Outro grupo tomava café da manhã, com o lanche oferecido pela empresa ainda nesta quinta-feira. Os caciques olhavam os jornais para saber o que foi noticiado sobre a ocupação.

Alguns funcionários da Aracruz Celulose chegavam para trabalhar, mas não têm acesso aos locais ocupados. Na noite desta quinta-feira, os manifestantes também tomaram o controle do restaurante da empresa e jantaram lá. A retirada dos indígenas da área da fábrica pode acontecer ainda nesta sexta.

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