Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Presidente da Fiocruz defende investimento em pesquisa na área de saúde

Segunda, 18 de Abril de 2005 às 12:44, por: CdB

O presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Marchiori Buss, disse nesta segunda-feira que a falta de investimento em medicamentos, fármacos, vacinas e kits para diagnóstico deixa um déficit na balança comercial do setor em torno de US$ 4 bilhões, enquanto o setor de agronegócios tem saldo positivo de US$ 35 bilhões por conta dos incentivos do governo. Segundo ele, a expectativa é que a política industrial e de comércio exterior, que fortalece a área de fármacos, com incentivo à produção de insumos para medicamentos, lançada recentemente pelo governo, comece a reverter o quadro ainda neste ano.

- É uma política que tem de três a quatro anos para amadurecer, mas a reversão já vai começar entre este ano e o próximo, pois temos empresas de base tecnológica que já estão em fase de incorporar tecnologias maduras e, portanto, não importar mais produtos prontos - afirmou Buss.

Em palestra para empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro sobre novas tecnologias em saúde, Buss disse que a falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, principalmente pelas multinacionais, retrai o acesso brasileiro às novas tecnologias. De acordo com o pesquisador, o Brasil tem menos de mil doutores debruçados em pesquisas na área empresarial e, nas instituições públicas, a participação é mais baixa ainda.

Para Buss, o governo precisa criar mecanismos para garantir que os grandes laboratórios invistam em ciência e tecnologia no Brasil. Ele deu duas sugestões: a primeira é restringir a remessa de lucros das empresas que não investirem em pesquisa e a outra seria a oferta de incentivos fiscais para aquelas que se preocuparem em ajudar a desenvolver a ciência brasileira.

- O importante é que essas empresas, principalmente as multinacionais, deixem de ser apenas maquiladoras e importadoras de produtos prontos, ou só fazendo aqui a finalização, e ajudem os brasileiros a desenvolver-se no atendimento das necessidades do país, sobretudo das nossas doenças mais negligenciadas.

No final do ano passado, o Congresso Nacional aprovou as leis da Inovação e da Política Industrial e de Comércio Exterior, ambas com artigos que incentivam os investimentos em ciência e tecnologia no país. As leis ainda não foram regulamentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Tags:
Edições digital e impressa