O presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Marchiori Buss, disse nesta segunda-feira que a falta de investimento em medicamentos, fármacos, vacinas e kits para diagnóstico deixa um déficit na balança comercial do setor em torno de US$ 4 bilhões, enquanto o setor de agronegócios tem saldo positivo de US$ 35 bilhões por conta dos incentivos do governo. Segundo ele, a expectativa é que a política industrial e de comércio exterior, que fortalece a área de fármacos, com incentivo à produção de insumos para medicamentos, lançada recentemente pelo governo, comece a reverter o quadro ainda neste ano.
- É uma política que tem de três a quatro anos para amadurecer, mas a reversão já vai começar entre este ano e o próximo, pois temos empresas de base tecnológica que já estão em fase de incorporar tecnologias maduras e, portanto, não importar mais produtos prontos - afirmou Buss.
Em palestra para empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro sobre novas tecnologias em saúde, Buss disse que a falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, principalmente pelas multinacionais, retrai o acesso brasileiro às novas tecnologias. De acordo com o pesquisador, o Brasil tem menos de mil doutores debruçados em pesquisas na área empresarial e, nas instituições públicas, a participação é mais baixa ainda.
Para Buss, o governo precisa criar mecanismos para garantir que os grandes laboratórios invistam em ciência e tecnologia no Brasil. Ele deu duas sugestões: a primeira é restringir a remessa de lucros das empresas que não investirem em pesquisa e a outra seria a oferta de incentivos fiscais para aquelas que se preocuparem em ajudar a desenvolver a ciência brasileira.
- O importante é que essas empresas, principalmente as multinacionais, deixem de ser apenas maquiladoras e importadoras de produtos prontos, ou só fazendo aqui a finalização, e ajudem os brasileiros a desenvolver-se no atendimento das necessidades do país, sobretudo das nossas doenças mais negligenciadas.
No final do ano passado, o Congresso Nacional aprovou as leis da Inovação e da Política Industrial e de Comércio Exterior, ambas com artigos que incentivam os investimentos em ciência e tecnologia no país. As leis ainda não foram regulamentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Presidente da Fiocruz defende investimento em pesquisa na área de saúde
Segunda, 18 de Abril de 2005 às 12:44, por: CdB