Presidente da Costa do Marfim promete punição a assassinos
Por Coulibaly Loucoumane
ABIDJAN (Reuters) - O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, prometeu na quinta-feira punir aqueles que cometeram crimes durante a violenta luta pelo poder contra o ex-líder Laurent Gbagbo, no momento em que decretou três dias de luto nacional pelos mortos.
Dirigindo-se a seus ministros no jardim tropical do palácio presidencial, ele disse que "nunca mais" o país do Oeste Africano, outrora próspero, verá o mesmo derramamento de sangue que ocorreu nos últimos cinco meses.
"Eu dou a minha garantia de que nenhum crime ficará impune", disse Ouattara, pouco antes de soldados Costa do Marfim baixarem a meio-pau a bandeira nacional da Costa do Marfim, em laranja com listras brancas e verdes, ao som da música fúnebre de uma banda militar.
"Uma comissão de inquérito nacional já foi formada para perseguir e julgar os autores de atrocidades e assassinatos", acrescentou, depois de declarar 12 de maio como um dia para lembrar os "mártires" do conflito.
A Costa do Marfim entrou em um caos violento quando Gbagbo se recusou a aceitar a eleição presidencial de novembro passado, apesar de os resultados, certificados pela ONU, mostrarem que ele havia perdido para Ouattara.
Ouattara foi finalmente empossado como presidente na semana passada.
Pelo menos 3.000 pessoas foram mortas na onda de violência e mais de um milhão foram deslocadas. As essenciais exportações de cacau do maior produtor do mundo foram interrompidas.
"Nós, os sobreviventes, lembramos os mártires e todas as vítimas desta crise. Devemos parar para fazer o luto com as milhares de famílias desoladas que perderam os seus", disse Ouattara.
Gbagbo foi capturado em 11 de abril, mas as milícias leais a ele continuaram a levar a cabo assassinatos até a semana passada, disse o ministro da Defesa de Ouattara.
O governo de Ouattara abriu um processo judicial contra Gbagbo por crimes de guerra, uma iniciativa que poderá atrapalhar sua promessa de reconciliação em um país muito dividido.
Mas grupos de direitos humanos também acusaram as tropas Ouattara de abusos e assassinatos extrajudiciais, incluindo a morte de cerca de mil pessoas no oeste do país.
Embora as mortes não tenham sido sistemáticas e sancionadas pelo Estado, como as causadas pelas tropas de Gbagbo, a fim de realizar um processo imparcial seria necessário trazer esses crimes à justiça também, dizem entidades de direitos humanos.
O Ministério da Defesa esta semana acusou milicianos leais a Laurent Gbagbo de matar 120 pessoas durante uma operação de "terra arrasada" na semana passada. O escritório de direitos humanos da missão da ONU no país disse estar investigando o incidente.
Ouattara reiterou seus planos para uma Comissão de Reconciliação como o da África do Sul. Ele espera que a comissão permita que a Costa do Marfim siga em frente depois de tanta violência.
Reuters