Presidente da Câmara é investigado sob suspeita de distribuir propina
O trâmite seguiu sob influência de Fábio Cleto, segundo a PGR, que é aliado de Cunha. O suspeito ocupava uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal e integrava do conselho do fundo de investimento do FGTS
O trâmite seguiu sob influência de Fábio Cleto, segundo a PGR, que é aliado de Cunha. O suspeito ocupava uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal e integrava do conselho do fundo de investimento do FGTS
Por Redação - de Brasília
Presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) passou à condição de investigado em mais um inquérito em curso, na Procuradoria-Geral da República (PGR), que apura o uso de contas no exterior para o repasse de propina a aliados, em todo o país. A PGR levanta se o deputado intermediou a distribuição de propina, captada no esquema criminoso que atingiu a Petrobras.
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Segundo a PGR, os pagamentos foram realizados por bancos estrangeiros aos quais o deputado fluminense negociava, com o objetivo de dificultar o acesso à distribuição do dinheiro captado nos desvios da estatal brasileira. Os procuradores ainda não divulgaram se contas estariam em nome do deputado ou de terceiros, mas indicam que as informações foram prestadas por executivos da Carioca Engenharia, que fecharam acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
Os desvios apontados estariam subordinados ao pagamento de recursos públicos de um fundo de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o projeto do Porto Maravilha, no município do Rio de Janeiro. A Carioca Engenharia é dona da concessão, por um prazo de 40 anos, em consórcio com as construtoras Odebrecht e OAS. Os executivos das empreiteiras disseram, em juízo, que Cunha cobrou R$ 52 milhões em propina para viabilizar o negócio.
O trâmite seguiu sob influência de Fábio Cleto, segundo a PGR, que é aliado de Cunha. O suspeito ocupava uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal e integrava do conselho do fundo de investimento do FGTS. Os nomes dos possíveis beneficiados pelos repasses que determinados por Cunha ainda não foram revelados.
Muita propina
A PGR também pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada, a abertura de um outro inquérito contra Cunha por suspeita dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao projeto do Porto Maravilha. O ministro Henrique Eduardo Alves (Turismo) é mais um dos citados na investigação.
Segundo os procuradores, Alves recebeu R$ 300 mil em doações da Carioca Engenharia por determinação do presidente da Câmara, em 2014, quando disputou o governo do Rio Grande do Norte. O repasse está na prestação de contas à Justiça Eleitoral.
De acordo com o MP, no pedido de investigação encaminhado ao STF, a "doação da campanha do então deputado Henrique Eduardo Alves, além de imbricar-se com a solicitação de vantagem indevida, pode constituir, conforme a verdadeira destinação dos recursos, indício de falsidade de prestação de contas à Justiça Eleitoral e de outros crimes".
O Plenário do STF foi unânime em assegurar a abertura de uma ação penal contra Eduardo Cunha. É, segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, uma de uma série de investigações que visa apurar as denúncias de formação de quadrilha e evasão de divisas, entre outras, que pesam sobre o réu.
Cunha, por sua vez, recusa-se a deixar a Presidência da Câmara e, ao lado de Eduardo Alves, afirma que ainda não teve acesso à íntegra dos documentos.
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