Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2026

Presidente colombiano comanda programas de TV contra guerrilha

Quinta, 08 de Maio de 2003 às 13:29, por: CdB
Câmera! Câmera! Filme isso, pediu o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, levantando um lençol para mostrar o ferimento ensanguentado de um soldado ferido na perna por rebeldes esquerdistas. O soldado foi 1 dos 3 reféns que sobreviveram a uma tentativa de resgate malsucedida do Exército, realizada na última segunda-feira (5). Morreram um governador de Província, um ex-ministro de Defesa e oito militares mantidos como reféns pelos guerrilheiros em uma região de mata fechada. Respondendo a um dos piores reveses de seu governo, iniciado em agosto, Uribe recorre cada vez mais à estratégia televisiva para defender suas políticas duras de segurança e manter a confiança do público. Nas duas últimas semanas, o presidente apareceu duas vezes ao vivo, interrompendo a programação normal para comandar longas transmissões, nas quais apresenta reuniões de generais do Exército, videoteipes, mapas e até uma entrevista com um desertor das guerrilhas. Conhecido por seu ar sério e por sua falta de humor, Uribe não parece se adequar bem ao papel de personalidade televisiva, ao contrário de seu antecessor, Andrés Pastrana, que foi um apresentador de TV de língua afiada, mas não conseguiu obter a paz. Mas Uribe, que conquistou um forte mandato para pôr fim a quatro décadas de conflitos, goza de índices de popularidade inéditos. - Ele não possui muito charme na TV, mas, nessas transmissões, as pessoas vêem um presidente que está no comando em épocas de crise e é isso que a audiência quer ver -, afirmou Juan Londono, diretor do instituto de pesquisa Invamer-Gallup. Em mais um episódio do que os adversário do presidente chamam de o Reality show de Uribe, o presidente comandou uma transmissão nacional horas depois de os reféns sequestrados pela guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) terem sido mortos. Só três deles sobreviveram à tentativa de resgate. Ao vivo da base militar de onde partiu a ação, Uribe apareceu junto a uma fila com generais, ministros e assessores. Um por um, o presidente chamou seus comandados até o palco, como um professor rigoroso. Usando slides e gráficos, os generais disseram que as guerrilhas haviam atirado nos reféns a sangue frio antes de fugirem de uma força de 75 soldados de elite. As Farc disseram que os reféns foram mortos no fogo cruzado. Depois, Uribe apresentou "vídeos inéditos" nos quais aparecia falando com sobreviventes resgatados que estavam em leitos de um hospital. Segundo especialistas, o "programa" do presidente, que interrompeu as telenovelas da noite, abafou as críticas ao planejamento da operação e desviou o ódio da população para os rebeldes.
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