O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista publicada nos jornais argentinos, nesta quinta-feira, que a permanência no poder do presidente argentino, Néstor Kirchner, é "extremamente importante para a integração regional". Horas antes de sua chegada a Buenos Aires, depois de passar pelo Chile, Lula disse que os dois países sócios do Mercosul nunca antes tiveram "uma relação tão intensa e produtiva como agora". O presidente concedeu entrevista simultânea para vários meios de comunicação argentinos, em que fez elogios e previu uma vitória eleitoral de Kirchner no pleito de outubro.
- Ele fez um bom governo, e certamente haverá continuidade na Argentina - disse Lula.
Kirchner ainda não confirmou se disputará a reeleição à Presidência da Argentina, apesar de todas as pesquisas darem ampla vantagem a ele sobre os pré-candidatos da oposição, que aparece muito desunida. No governo especula-se que a candidata da situação seja a mulher de Kirchner, a senadora Cristina Fernández. Segundo pesquisas preliminares, Fernández está em segundo lugar na preferência do eleitorado argentino, atrás do presidente.
Na entrevista publicada pelos jornais Clarín, La Nación e Página 12, Lula afirmou ainda que o Brasil está interessado em participar do Banco do Sul, um projeto financeiro multilateral para a América do Sul planejado por Venezuela e Argentina, mas ressaltou que antes seria necessário definir os objetivos.
- Será como o FMI para ajudar os países em crise? Será uma instituição para favorecer o desenvolvimento? Qual será a participação de cada país? Um banco dessa magnitude precisa estabelecer critérios de cotas. O Brasil tem o maior interesse em participar, mas queremos que haja uma certa equidade. Tenho a ambição de que poderemos construir nos próximos quatro anos uma moeda única do Mercosul - afirmou Lula.
Lula chega a Buenos Aires na noite de quinta-feira e deixa a Argentina no dia seguinte.