O destino do presidente da Bolívia, Carlos Mesa, pode ser selado nesta semana, quando o país entra na terceira semana de protestos indígenas e as divisões políticas se aprofundam. O único aliado de Mesa neste momento é a respeitada Igreja Católica, que atendeu ao seu pedido de mediação e começou a negociar com governo, Congresso fragmentado, regiões ricas que exigem autonomia e líderes indígenas.
Grupos indígenas na cidade militante de El Alto prometem manter uma greve por tempo indefinido porque Mesa e o Congresso não cumpriram sua exigência - a nacionalização da segunda maior reserva de gás natural da América Latina.
Os manifestantes em El Alto se recusam a levantar os bloqueios ao redor da usina que fornece gás para La Paz.
A gasolina está terminando na capital e poucos postos abriram no fim de semana. Os táxis deixaram de circular na segunda capital mais alta do mundo para economizar combustível.
"Os movimentos sociais perderam a confiança no presidente e vão continuar suas mobilizações", disse o analista político Jorge Lazarte. "O presidente tornou as coisas piores."
O mandato de Mesa termina em 2007 mas, como político independente, ele luta para continuar no poder desde que assumiu o cargo, há 19 meses.
Os últimos distúrbios começaram depois que o Congresso aprovou uma lei de energia, há duas semanas, que aumenta os impostos para firmas estrangeiras que exploram gás e petróleo, mas não atende as exigências indígenas de controle estatal pesado, o que daria dinheiro aos pobres.
Esta é a pior crise no país mais pobre da América do Sul desde que o sucessor de Mesa, Gonzalo Sanchez de Lozada, foi derrubado por uma revolta indígena devido à política de gás em outubro de 2003. Os protestos deixaram 70 mortos na época. Ninguém morreu agora, mas o vandalismo e os ataques raciais cresceram na última semana.