Presidente alemão cancela visita à ThyssenKrupp após anúncio de demissões
O presidente da Alemanha, Christian Wulff, decidiu abreviar sua estada no Brasil devido à divulgação de um plano de demissões em massa pela metalúrgica ThyssenKrupp. Ele planejava visitar a nova siderúrgica da empresa alemã no Estado do Rio de Janeiro neste sábado. Com o anúncio, a visita foi cancelada.
O presidente da Alemanha, Christian Wulff, decidiu abreviar sua estada no Brasil devido à divulgação de um plano de demissões em massa pela metalúrgica ThyssenKrupp. Ele planejava visitar a nova siderúrgica da empresa alemã no Estado do Rio de Janeiro neste sábado. Com o anúncio, a visita foi cancelada.
Wullf reagiu com irritação à notícia por não ter sido comunicado com antecedência pela direção da ThyssenKrupp. Ele ficou sabendo dos planos de reestruturação pela imprensa, nesta sexta-feira, poucas horas antes da visita. Um dia antes, o chefe para a América da empresa, Hans Fischer, informara Wulff sobre a estratégia para o exterior da metalúrgica, sem mencionar as demissões.
O chefe de Estado alemão anunciou pessoalmente seus novos horários de voo na noite de sexta-feira, em São Paulo. Ele optou por retornar a Berlim neste sábado. Mas também este plano acabou frustrado, desta vez por um problema técnico na aeronave. Devido a uma peça defeituosa, o Airbus A310 da comitiva deve ficar retido em São Paulo ao menos até este domingo.
Frustração
A visita à nova siderúrgica da empresa, no Estado do Rio, concluiria o giro de uma semana do presidente alemão pela América Latina, que o levara antes ao México e a Costa Rica. Da declaração distribuída pela porta-voz de Wulff, durante recepção no Instituto Goethe, consta a decisão foi tomada devido às "abrangentes reestruturações dentro do conglomerado ThyssenKrupp, anunciadas a curto prazo e com consequências ainda não previsíveis".
O presidente tem motivos para estar frustrado com o inesperado anúncio da empresa, já que a visita à siderúrgica na Baía de Sepetiba também tinha caráter de socorro à multinacional sediada em Essen, Alemanha. Após investir mais de 5 bilhões de euros nas instalações, ela enfrenta a resistência de ambientalistas. Ao longo de sua visita ao Brasil, Wulff diversas vezes elogiou o empreendimento.
Reações compreensivas
Segundo o secretário parlamentar de Estado no Ministério alemão da Economia, Hans-Joachim Otto, não havia alternativa ao cancelamento. De modo geral, a comitiva de Wulff – inclusive os empresários que o acompanhavam – demonstrou compreensão, embora alguns tenham lamentado a estratégia de comunicação infeliz.
A reação da ThyssenKrupp foi igualmente compreensiva. O presidente do conselho de empresa Thomas Schlenz expressou-se "um tanto surpreso" pelo cancelamento, pois "não se trata de cortes de pessoal, mas sim de vendas e reestruturação". Entretanto ele disse achar "bom que a política se preocupe pelas nossas vagas de trabalho".
– Isto deve ser um estímulo para que a ThyssenKrupp feche um pacote de segurança conosco durante as conversas com os representantes dos empregados, atualmente em curso – comentou Schlenz.
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