O PMDB não está disposto a abrir mão da presidência do Senado caso o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) decida se afastar em definitivo do comando da Casa Legislativa. O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), disse nesta quarta-feira que a cadeira de presidente da Casa pertence ao PMDB, que reúne o maior número de senadores na atual legislatura.
— Eu entendo que a vaga é do PMDB. Se a praxe é a maior bancada no Senado ocupar a presidência, a gente não pode abrir mão. O PMDB já abriu mão de muita coisa, mas abrir mão da presidência do Senado eu acho demais — disse.
Apesar da campanha pela sucessão de Renan já ter sido deflagrada nos bastidores, oficialmente Raupp disse que o partido só vai discutir um substituto para o peemedebista se Renan formalizar sua renúncia à presidência.
— Enquanto o cargo não estiver vago, devemos ter cautela em discutir sucessão — defendeu o líder.
O PSDB já anunciou estar disposto a apoiar um nome do PMDB, desde que seja alinhado com a oposição. DEM e PSDB negociam, nos bastidores, para que o PMDB lance nomes como os dos senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Simon (PMDB-RS) ou Gerson Camata (PMDB-ES), considerados independentes em relação ao Palácio do Planalto.
A cúpula do PMDB, por sua vez, costura a indicação do senador Edison Lobão (PMDB-MA) para a cadeira de Renan. Lobão é um dos principais interlocutores do senador José Sarney (PMDB-AP) que, ao lado de Renan, dão maior sustentação ao governo federal. Os caciques do partido também cogitavam nesta terça-feira a volta do ministro Hélio Costa (Comunicações) ao Senado para ser um dos candidatos à sucessão de Renan.
O retorno de Costa também abafaria as denúncias contra seu suplente Wellington Salgado (PMDB-MG), acusado de uma série de irregularidades com sua empresa em Minas Gerais. Outros nomes apontados como candidatos no PMDB são: Valdir Raupp (RO) e Garibaldi Alves (RN).
O PT também se articula, nos bastidores, para manter em definitivo o senador Tião Viana (PT-AC) na presidência do Senado. Viana ocupa interinamente o cargo no lugar de Renan durante os 45 dias de licença solicitados pelo peemedebista. Raupp afirmou, no entanto, que o partido não está disposto a apoiar o nome de um senador do PT para a presidência da Casa.
Em meio às negociações, Renan vem sinalizando a aliados que deve abrir mão em definitivo do cargo. O senador pretende desocupar nos próximos dias a residência oficial do Senado, numa clara sinalização de que não está disposto a retornar à presidência da Casa.