Tópicos de contextos históricos
Indígenas na construção da vida religiosa salesiana
Releitura antropológica e teológica da Vocação
Encontro das Salesianas – Junioristas
Santa Isabel do Rio Negro
Setembro de 2011
INICIANDO A CONVERSA
O presente texto foi elaborado a partir da solicitação dasIrmãs Salesianas – Junioristas com o tema: Contexto histórico da presençaSalesiana no Rio Negro.
Na impossibilidade de elaborar um texto mais fundamentadonas bibliografias sobre a presença dos salesianos e salesianas no Rio Negrodecidi apresentar alguns tópicos destes contextos históricos.
O texto não responderá todas as perguntas nem satisfazer osdesejos de saber mais sobre as histórias salesianas no Rio Negro. O escritopoderá provocar outras buscas, pesquisas sobre as histórias salesianas.
Apresento um enfoque maior sobre histórias dos salesianos,porém, é importante para nós indígenas, originários da região do Rio Negrosaber que as Filhas de Maria Auxiliadora – Salesianas são contemporâneas aossalesianos. Nós indígenas religiosos e religiosas podemos fazer importantespesquisas com a ajuda de nossos parentes mais velhos, de meia idade e da nossaprópria participação na história dos salesianos e salesianas, desde quecomeçamos a existir. Nossos pais e mães estudaram com os primeiros salesianos eprimeiras salesianas. Eles nos contam como era a educação, catequese,exigências, disciplinas na época deles, com os primeiros salesianos e primeirassalesianas.
Muitos escritores não-indígenas missionários salesianos eoutros escritores leigos sob encomenda escreveram sobre as açõesevangelizadoras, catequese, processo civilizatório através educação escolar,profissionalização, cuidado à saúde etc. Eles escreveram a visão deles seguindoos conceitos teóricos da antropologia da época.
Apresentaram os êxitos de seus trabalhos em meio apopulações indígenas: civilizar, catequizar, progredir, pacificar etc.
Também pesquisadores (as) leigos não-indígenas,principalmente antropólogos escreveram sobre as histórias das presençassalesianas e os modos dos salesianos educaram os jovens indígenas. Estes dão umenfoque mais crítico, não no sentido propositivo, mas com intencionalidadedefinida sobre os salesianos: destruidores das culturas indígenas, promotoresde etnocídio, desaculturação, aculturação etc. Estas visões perduram até hoje.É comum ouvir essas visões nos Seminários que tratam da educação escolar, dospovos indígenas, movimentos indígenas. Nas Universidades, maioria dosprofessores possui essas visões. Por isso é importante que nós indígenastenhamos conteúdos nossos, pesquisados por nós, construção histórica nossa...Não podemos simplesmente aceitar as visões destes professores. Muitos deles sóconhecem as Missões Salesianas através de escritores, não conhecem as MissõesSalesianas na realidade indígena. Outros só ouviram falar, mas nunca pisaramnas terras de Missões e nunca viram com seus próprios olhos.
Para ler o documento na íntegra,clique aqui.
CONCLUINDO A CONVERSA
Muitos temas poderiam ter sido aprofundados, pesquisados,rezados, acolhidos por nós. Como eu propus, no início, concluo dizendo que nósindígenas salesianos e salesianas estamos em construção.
Nós não somos seres acabados, completos.
Os povos indígenas continuarão existindo e cada vez mais comoutras mentalidades, outras práticas de vida, outras crenças, conceitos... E,nós indígenas salesianos e salesianas devemos acompanhar esse ritmo decrescimento de nossos parentes indígenas.
Continuarão surgindo vocações indígenas. E, nós de maiscaminhada precisamos estar bem para poder ajudar os mais jovens. Eles (as)olham para nós como aqueles (as) salesianos e salesianas que os podem ajudar.
Dificuldades continuarão surgindo. É necessário que tenhamoshumildade necessária para procuramos orientações, acompanhamentos e ultrapassarnossas dificuldades.
Agradeçamos a Deus, fonte da nossa vocação. Com Ele nósvamos continuar na vida religiosa, no trabalho com a juventude em todo lugaronde nós formos destinados(as).