O partido do governo na Turquia, o AK, celebrou nesta segunda-feira sua decisiva vitória na eleição parlamentar, mas um forte avanço nacionalista reduziu sua maioria e poderá conter as reformas essenciais para a candidatura do país à União Européia (UE).
Com todos os votos da eleição de domingo contabilizados, resultados extra-oficiais dão ao Partido da Justiça e Desenvolvimento (AK), de raízes islâmicas, 46,5%. Mas uma oposição mais unida significa que a legenda terá 340 dos 550 assentos do Parlamento, um pouco menos do que detinha antes.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo partido, Justiça e Desenvolvimento (AK), prometeu, em discurso após a confirmação da vitória, respeitar a Constituição secular do país. A questão do secularismo era uma das principais razões da crise política que haviam levado à convocação das eleições antecipadas.
O pleito foi convocado para tentar resolver um impasse envolvendo as tendências islâmica e secular, após seguidas tentativas - fracassadas - do Parlamento de eleger um novo presidente.
Os partidos laicos e as poderosas Forças Armadas conseguiram impedir a eleição de um muçulmano praticante, o ministro das Relações Exteriores, Abdullah Gul, que contava com o apoio do governo.
O AK, partido moderado de tendência islâmica no poder desde 2002, afirma respeitar os princípios do secularismo previstos pela Constituição, mas os opositores acusam a agremiação de ter um suposto projeto islâmico.
O mercado financeiro subiu com muita força após o sucesso do partido pró-negócios. A lira turca atingiu seus níveis mais altos em relação ao dólar em mais de dois anos, e títulos e ações também se elevaram.
O Exército secular, que derrubou o antecessor islâmico do partido de Erdogan há dez anos, foi contra a candidatura do ministro das Relações Exteriores Abdullah Gul, temendo que ele como presidente provocasse o fim da separação entre religião e Estado.
Erdogan tentou garantir que não acabará com o caráter secular do país, dizendo que governará para todos os turcos e citando Mustafa Kemal Ataturk, considerado o fundador da república moderna da Turquia, em 1923.
Uma das primeiras tarefas do novo Parlamento será justamente decidir como será escolhido o novo presidente. A oposição rejeita a proposta de eleições diretas para o cargo.
Apesar da vitória por ampla margem, o AK não conseguirá os dois terços dos votos necessários para aprovar seu candidato presidencial sem depender da oposição.