Rio de Janeiro, 10 de Abril de 2026

Premier palestino é ameaçado de morte

Um importante membro do partido do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse na segunda-feira que o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, membro do Hamas, será assassinado se o grupo retomar a campanha de atentados suicidas em território israelense. (Leia Mais)

Segunda, 12 de Junho de 2006 às 06:29, por: CdB

Um importante membro do partido do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse na segunda-feira que o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, membro do Hamas, será assassinado se o grupo retomar a campanha de atentados suicidas em território israelense.

Os comentários de Tzachi Hanegbi, presidente da Comissão Parlamentar de Assuntos Exteriores e de Defesa de Israel, foram feitos depois de uma escalada da violência ao longo da fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza e da declaração do Hamas colocando fim a uma trégua de 16 meses.

- Yassin e Rantissi estão esperando pelo senhor, Haniyeh, se o senhor adotar a mesma postura de liquidar os judeus, usando armas de fogo sem discriminação, e ataques suicidas de terror com vistas a novamente paralisar a sociedade israelense - afirmou Hanegbi em entrevista à Rádio do Exército.

O parlamentar referia-se ao xeique Ahmed Yassin, co-fundador do Hamas, e a Abdel-Aziz al-Rantissi, outro líder do grupo militante. Os dois foram assassinados por Israel em ataques com míssil ocorridos na Faixa de Gaza, em 2004.

O Hamas, que assumiu o comando do governo palestino em março após vencer as eleições de janeiro, jura destruir Israel.

Em declarações dadas a repórteres, em Gaza, Haniyeh classificou as declarações de Hanegbi de "um tipo de loucura política de que sofrem alguns líderes israelenses".

O Hamas realizou quase 60 atentados suicidas em Israel depois do começo de um levante palestino, em 2000, mas suspendeu tais ações na metade de 2004 e absteve-se quase totalmente da violência depois de um cessar-fogo ter sido firmado, no começo de 2005.

Atualmente, o grupo trava uma batalha com o presidente palestino, Mahmoud Abbas - um político moderado - em torno de um manifesto político elaborado por palestinos mantidos em presídios israelenses e que reconhece implicitamente o Estado israelense.

Diante de críticas do Hamas, Abbas ordenou a realização de um plebiscito em 26 de julho a respeito da iniciativa, cuja adoção pode enfraquecer o governo liderado pelo grupo islâmico e já atingido pela suspensão do fluxo de ajuda internacional em virtude da postura que adota em relação a Israel.

O Hamas afirmou que pediria ao Parlamento, na segunda-feira, para declarar o plebiscito ilegal, uma manobra que pode aprofundar ainda mais a crise com Abbas. O presidente deve se reunir com Haniyeh ainda na segunda-feira para realizar novas negociações.

<b>MORTES EM GAZA</b>

Na sexta-feira, o Hamas declarou encerrada a trégua. A decisão foi tomada depois de sete palestinos, entre os quais três crianças, terem sido mortos um dia antes, em uma praia da Faixa de Gaza, durante um bombardeio israelense.

Israel, apesar de não ter assumido a responsabilidade pelas mortes, disse que elas haviam sido um erro e lamentou o incidente. As Forças Armadas do país prometem investigar o ocorrido.

Desde o final do cessar-fogo, o Hamas disparou dezenas de foguetes contra o território israelense, a partir da Faixa de Gaza. No domingo, ataques realizados por helicópteros de Israel mataram dois militantes do Hamas em Gaza. Foguetes disparados pelo grupo feriram um israelense.

Hanegbi, um membro importante do partido Kadima (o mesmo de Olmert), não integra o círculo mais próximo do premiê israelense. Mas as declarações dele, incluindo a previsão sobre ser "inevitável um confronto entre Israel e o Hamas", surgiram depois de uma ameaça velada do ministro israelense de Defesa, Amir Peretz, contra os líderes do grupo militante.

- Ninguém que coloque Israel em perigo poderá transformar seu nome ou seu cargo em uma apólice de seguro - disse Peretz, cuja cidade natal, Sderot, perto da Faixa de Gaza, é alvo da maior parte dos ataques realizados pelos palestinos com foguetes de fabricação caseira.

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