Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Premier iraquiano defende presença de tropas dos EUA

Terça, 12 de Julho de 2005 às 07:37, por: CdB

O primeiro-ministro do Iraque defendeu nesta terça-feira a presença de tropas norte-americanas em seu território. Ele disse ao Parlamento que os militares estrangeiros não vão permanecer para sempre, mas que sua partida não será ditada pelos ataques dos insurgentes.

- Queremos que a decisão da retirada seja uma decisão iraquiana, com um cronograma iraquiano, não um cronograma do terror - afirmou Ibrahim Al Jaafari, garantindo que o governo está garantindo os interesses da sua população junto às forças de ocupação.

Pouco antes do discurso, o premier recebeu o subsecretário norte-americano de Estado, Robert Zoellick, que reafirmou que as tropas norte-americanas vão permanecer no Iraque enquanto o governo não conseguir recrutar, treinar e equipar suas próprias forças.

Mas um memorando do governo britânico vazou para a imprensa dizendo que Londres e Washington têm planos para reduzir drasticamente sua presença militar no Iraque no prazo de um ano.

No mesmo evento, Jaafari disse que a questão da saída dos militares "deve ser decidida pelo povo iraquiano por meio das suas instituições eleitas".

- Elas vão sair quando ficar decidido que não há mais necessidade de tropas estrangeiras - diss ele. 

Muitos iraquianos estão descontentes com a presença norte-americana, mas alguns concordam com o argumento do governo de que a desocupação seria arriscada se as forças iraquianas não estiverem prontas para assumirem as funções de segurança.

Algumas unidades iraquianas de elite melhoraram sua capacidade de combate, mas outras mal conseguem proteger a si mesmas, quanto mais aos civis ameaçados por atentados, tiroteios e quadrilhas.

Zoellick disse que o progresso do processo político é crucial na luta contra os rebeldes.

- Para construir um novo Iraque e derrotar a insurgência é necessário conectar o elemento político - agora no processo constituinte, depois com eleições - o elemento econômico, sobre o qual eu passei os últimos dois dias debruçado, e também o elemento militar.Isso não é fácil, e ainda há muitas milhas pela frente na estrada - disse Zoellick

O governo iraquiano, liderado pelos xiitas, espera pacificar a insurgência sunita dando a essa minoria, privilegiada no regime de Saddam Hussein, mais influência sobre os assuntos de Estado.
Na sua conversa de terça-feira com o Parlamento, Jaafari e seus ministros Bayan Jabor (Interior) e Hoshiyar Zebari (Relações Exteriores) enfrentaram duros questionamentos sobre a presença norte-americana, a precariedade dos serviços públicos e supostos abusos cometidos por forças de segurança.

- Nenhum país do mundo se sentiria honrado com a presença de forças estrangeiras em seu território - disse Jaafari, acrescentando que o governo está analisando todas as queixas de civis a respeito da conduta dos soldados dos EUA.

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