Rio de Janeiro, 28 de Agosto de 2026

Premiê paquistanês rejeita acusações sobre Bin Laden

Segunda, 09 de Maio de 2011 às 08:55, por: CdB

Premiê paquistanês rejeita acusações sobre Bin LadenLegenda:Premiê paquistanês rejeita acusações sobre Bin Laden (reuters_tickers)

Por John Chalmers

ISLAMABAD (Reuters) - O primeiro-ministro do Paquistão, Yusuf Raza Gilani, rejeitou na segunda-feira as alegações de que o assassinato de Osama bin Laden por tropas americanas em seu país revela incompetência ou cumplicidade paquistanesa em manter o líder da Al Qaeda escondido.

Políticos da oposição vêm intensificando suas críticas aos líderes do Paquistão em função do assassinato de Bin Laden em 1o de maio numa operação de forças especiais dos EUA numa cidade do norte do Paquistão.

O Paquistão saudou a morte de Bin Laden, que arquitetou os ataques de aviões comerciais contra os EUA em 11 de setembro de 2001, como avanço na luta contra a militância, mas também se queixou de que a operação constituiu uma violação de sua soberania.

O fato de Bin Laden ter sido encontrado escondido na cidade de Abbottabad, a apenas 50 quilômetros da capital e sede de uma academia militar, levou a acusações de que as agências de segurança paquistanesas ou tenham sido incompetentes ou tenham ajudado a abrigar o homem mais procurado do mundo.

"As alegações de cumplicidade ou incompetência são absurdas", disse Gilani em discurso televisionado para o Parlamento, acrescentando que é insinceridade acusar o Paquistão, incluindo sua agência de espionagem, de estar "em conluio com" a rede Al Qaeda.

A operação militar dos EUA elevou as tensões nas relações entre Islamabad e Washington, cruciais para o combate à militância islâmica e a estabilização do Afeganistão.

Os Estados Unidos não chegaram a acusar o Paquistão de dar abrigo a Bin Laden, mas Islamabad está sob pressão para explicar como Bin Laden encontrou refúgio no país.

Gilani avisou que ações unilaterais como a ação das forças especiais americanas que voaram desde o Afeganistão em helicópteros para atacar o esconderijo de Bin Laden correm o risco de ter consequências sérias, mas acrescentou que o Paquistão atribui grande importância a suas relações com os Estados Unidos.

O principal partido oposicionista do país pediu a renúncia de Gilani e do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, devido à quebra da soberania paquistanesa cometida pelas tropas especiais que voaram desde o Afeganistão em helicópteros para invadir a mansão em que Bin Laden vivia escondido.

"Acho que foi um grande golpe contra a soberania, a independência e o respeito próprio do Paquistão", disse a jornalistas em Lahore o ex-premiê Nawaz Sharif. "O Paquistão vive uma crise grave e é cercado por grave perigo."



Críticos no país também dizem que a ação militar norte-americana levanta dúvidas quanto à segurança das valorizadas armas nucleares do país, mas Gilani disse que qualquer iniciativa contra elas topará com uma "reação à altura". "O Paquistão se reserva o direito de retaliar com força plena", disse ele.

As relações entre Paquistão e Estados Unidos já estavam fragilizadas após uma série de disputas diplomáticas em torno de questões que incluem um grande ataque de aviões não tripulados americanos em março e a questão de Raymond Davis, agente terceirizado a serviço da CIA que em janeiro matou a tiros dois paquistaneses na cidade de Lahore.

A descoberta de Bin Laden em Abbottabad, perto da principal academia militar do país, causou constrangimento ao governo e aos militares.

"Se ele realmente estava vivendo naquela mansão havia cinco anos, por que nossas agências não o encontraram?", disse a jornalistas o ex-chanceler Khursheed Mehmood Kasuri. "Este fato proporcionou aos elementos antipaquistaneses uma chance de nos ridicularizar."



Mas Gilani declarou que tem plena confiança nas Forças Armadas e na agência de espionagem ISI, que descreveu como um "ativo nacional".

Reuters

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