O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurie, obteve na quarta-feira a aprovação dos parlamentares para a formação de um novo gabinete, depois de três dias de uma crise em torno de exigências para que mais reformistas e menos velhos aliados de Yasser Arafat ganhassem espaço.
Em uma reunião com membros da Fatah, o grupo político dominante, Qurie superou obstáculos que quase o forçaram a renunciar e complicados esforços anticorrupção na Autoridade Palestina enquanto ele busca um caminho para a paz com Israel.
Depois de quatro horas de reunião com Qurie e com o presidente Mahmoud Abbas, parlamentares concordaram com os pedidos para que mais tecnocratas sejam nomeados e que mais da metade do gabinete inclua novos políticos.
"Nós chegamos a um acordo com o irmão Abu Ala", disse à Reuters o legislador Salah Tamari, usando o apelido comum de Qurie. "A maioria dos parlamentares vai votar em favor desse gabinete."
Diversos parlamentares disseram que se não surgir nenhum novo problema, a legislatura palestina irá se reunir na quinta-feira para ratificar os novos 24 membros do gabinete.
O líder parlamentar Rahwi Fattouh havia dito que a eleição para o gabinete seria adiada até quinta-feira ou sábado -- o terceiro adiamento nesta semana -- depois de Qurie não ter conseguido reunir uma maioria.
Um novo governo é fundamental para os planos de Abbas de fazer uma limpeza na Autoridade Palestina e fundir uma dezena de serviços de segurança que geralmente competem entre si. O objetivo é lidar de maneira mais eficaz com os militantes anti-Israel -- medidas exigidas pelos Estados Unidos e por outros grandes financiadores.
O gabinete inicial de Qurie, apresentado na segunda-feira, tinha apenas quatro novos nomes, o que provocou uma grande insatisfação entre legisladores que querem varrer os vestígios de corrupção do período de Arafat.
A morte de Arafat, o ícone nacionalista palestino, deixou ministros da velha guarda mais vulneráveis a acusações de legisladores reformistas que refletiam uma generalizada frustração da opinião pública com os gastos do governo e com corrupção.
Apontado por Arafat, Qurie teria de renunciar se seu gabinete não obtivesse a aprovação parlamentar.
Assessores de Qurie acusaram aliados de Abbas na Fatah -- grupo que controla dois terços dos assentos no parlamento -- de tentar afastá-lo do posto. Os dois são velhos rivais.
Mas Abbas, que não estava se envolvendo diretamente no processo, interveio na quarta-feira para conquistar o apoio de parlamentares dissidentes em prol da aprovação do gabinete de Qurie.
Autoridades palestinas afirmaram que há 17 novos políticos entre os 24 ministros na equipe do primeiro-ministro. A maioria não é parlamentar, como haviam exigido dissidentes da Fatah.
Nasser Yousef e Mohammed Dahlan, ligados a Abbas, escolhidos para ajudá-lo reformar a AP e os serviços de segurança, concordaram em se juntar ao novo governo, disseram autoridades.
"O que caracteriza esse gabinete é que ele tem um número razoável de pessoas experientes e competentes", disse o parlamentar Talal Salameh.