Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Premiê palestino consegue acordo para novo gabinete

Quarta, 23 de Fevereiro de 2005 às 18:21, por: CdB

O primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurie, obteve na quarta-feira a aprovação dos parlamentares para a formação de um novo gabinete, depois de três dias de uma crise em torno de exigências para que mais reformistas e menos velhos aliados de Yasser Arafat ganhassem espaço.

Em uma reunião com membros da Fatah, o grupo político dominante, Qurie superou obstáculos que quase o forçaram a renunciar e complicados esforços anticorrupção na Autoridade Palestina enquanto ele busca um caminho para a paz com Israel.

Depois de quatro horas de reunião com Qurie e com o presidente Mahmoud Abbas, parlamentares concordaram com os pedidos para que mais tecnocratas sejam nomeados e que mais da metade do gabinete inclua novos políticos.

"Nós chegamos a um acordo com o irmão Abu Ala", disse à Reuters o legislador Salah Tamari, usando o apelido comum de Qurie. "A maioria dos parlamentares vai votar em favor desse gabinete."

Diversos parlamentares disseram que se não surgir nenhum novo problema, a legislatura palestina irá se reunir na quinta-feira para ratificar os novos 24 membros do gabinete.

O líder parlamentar Rahwi Fattouh havia dito que a eleição para o gabinete seria adiada até quinta-feira ou sábado -- o terceiro adiamento nesta semana -- depois de Qurie não ter conseguido reunir uma maioria.

Um novo governo é fundamental para os planos de Abbas de fazer uma limpeza na Autoridade Palestina e fundir uma dezena de serviços de segurança que geralmente competem entre si. O objetivo é lidar de maneira mais eficaz com os militantes anti-Israel -- medidas exigidas pelos Estados Unidos e por outros grandes financiadores.

O gabinete inicial de Qurie, apresentado na segunda-feira, tinha apenas quatro novos nomes, o que provocou uma grande insatisfação entre legisladores que querem varrer os vestígios de corrupção do período de Arafat.

A morte de Arafat, o ícone nacionalista palestino, deixou ministros da velha guarda mais vulneráveis a acusações de legisladores reformistas que refletiam uma generalizada frustração da opinião pública com os gastos do governo e com corrupção.

Apontado por Arafat, Qurie teria de renunciar se seu gabinete não obtivesse a aprovação parlamentar.

Assessores de Qurie acusaram aliados de Abbas na Fatah -- grupo que controla dois terços dos assentos no parlamento -- de tentar afastá-lo do posto. Os dois são velhos rivais.

Mas Abbas, que não estava se envolvendo diretamente no processo, interveio na quarta-feira para conquistar o apoio de parlamentares dissidentes em prol da aprovação do gabinete de Qurie.

Autoridades palestinas afirmaram que há 17 novos políticos entre os 24 ministros na equipe do primeiro-ministro. A maioria não é parlamentar, como haviam exigido dissidentes da Fatah.

Nasser Yousef e Mohammed Dahlan, ligados a Abbas, escolhidos para ajudá-lo reformar a AP e os serviços de segurança, concordaram em se juntar ao novo governo, disseram autoridades.

"O que caracteriza esse gabinete é que ele tem um número razoável de pessoas experientes e competentes", disse o parlamentar Talal Salameh.

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