Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Premiê haitiano tranquiliza ONU sobre eleições

Quinta, 14 de Abril de 2005 às 15:09, por: CdB

O primeiro-ministro interino do Haiti, Gerard Latortue, garantiu na quinta-feira à delegação da ONU que as eleições marcadas para novembro serão realizadas na data prevista. Nesta semana, a comissão eleitoral do país disse que isso poderia não ocorrer devido à violência no país.

Após duas horas de reunião a portas fechadas com Latortue, vários membros da delegação do Conselho de Segurança da ONU se disseram insatisfeitos com as explicações recebidas sobre Yvon Neptune, um ex-primeiro-ministro detido sem acusação formal desde junho de 2004.

A comitiva, liderada pelo brasileiro Ronaldo Sardenberg, chegou ao Haiti na quarta-feira e regressa a Nova York no sábado. É a primeira vez que o Conselho de Segurança envia todos os seus 15 embaixadores a uma missão na América Latina ou no Caribe.

Os principais itens na reunião com Latortue foram a necessidade de eleições livres, justas e pontuais e a proteção aos direitos humanos. O Conselho espera que Latortue entregue o poder a um governo eleito em fevereiro de 2006.

O governo interino foi criado, com apoio dos Estados Unidos, após a rebelião que provocou a fuga do presidente Jean-Bertrand Aristide, em fevereiro de 2004.

Mas os membros do Conselho ressaltaram que o sucesso das eleições depende da reconciliação nacional, que fica dificultada com a longa detenção de Neptune e de outros membros do partido Família Lavalas, de Aristide.

Latortue disse que "sem dúvida" as eleições ocorrerão no prazo.

- Eles estiveram aqui para apoiar o governo haitiano no nosso esforço para organizar as eleições, para nos assegurar de que vão ajudar a fazer essas eleições da forma mais livre possível, mais democrática possível, e também para chamar nossa atenção para a necessidade de respeitar os direitos humanos - disse o primeiro-ministro sobre a delegação da ONU.

Ele também disse ter pedido mais ajuda internacional para a eleição, uma vez que os 3.500 policiais do país têm capacidade "muito limitada". A ONU já mantém uma força de paz, liderada pelo Brasil, com 1.400 policiais e 6.000 militares.

Sardenberg disse que o mandato da força, que termina em 31 de maio, será prorrogado e ampliado e que a contribuição do Haiti vai guiar o Conselho de Segurança quando discutir o assunto, no mês que vem.

Diplomatas disseram após a reunião que Neptune deu apenas uma vaga resposta à pergunta sobre Neptune e outros presos políticos. Na véspera, o presidente Boniface Alexandre dissera ao grupo que se recusaria a intervir no caso.

- Precisamos de mais explicações sobre o que acontece - disse o embaixador russo na ONU, Andrei Denisov.

A embaixadora interina dos Estados Unidos na ONU, Anne Patterson, disse que, mesmo dando uma resposta insatisfatória, Neptune "está muito ciente do fato de que o caso feriu a percepção da comunidade internacional".

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