O primeiro-ministro grego, Costas Karamanlis, pediu nesta terça-feira que os líderes políticos do país se unam para enfrentar os piores protestos em décadas e afirmou que os manifestantes que ameaçam derrubar seu governo não devem esperar leniência.
Mas o líder da oposição socialista, George Papandreou, disse após reunião de emergência com Karamanlis que as pessoas perderam a confiança no governo depois de três dias de desordem no país, iniciados após o assassinato de um jovem pela polícia. Houve manifestações em Atenas, Tessalônica e várias outras cidades.
– O país não tem um governo para protegê-lo – disse Papandreou, cujo partido já estava com mais de cinco pontos percentuais de vantagem em pesquisas de opinião antes da revolta.
– Os cidadãos estão vivendo uma crise múltipla: uma crise social, uma crise de valores. As pessoas perderam a confiança no governo – completou.
A polícia se preparou para mais protestos antes do funeral de Alexandros Grigoropoulos, o adolescente de 15 anos que foi morto. Estudantes convocaram uma manifestação no meio do dia para marcar sua morte, que engatilhou protestos contra escândalos de corrupção, o aumento da disparidade entre ricos e pobres e problemas econômicos.
Mais de 50 pessoas ficaram feridas e centenas de prédios, incluindo lojas e outros estabelecimentos, foram danificados ou incendiados.
– Não vamos mostrar nenhuma leniência – disse o premiê Karamanlis depois do encontro com o presidente Karolos Papoulias.
– Ninguém tem o direito de usar este acontecimento trágico como desculpa para atos de violência. Neste momento crítico, o mundo político deve se unir para condenar os responsáveis por este desastre e isolá-los – acrescentou.
Na quarta-feira, a Grécia terá uma greve geral, apontada por analistas como mais um sinal de enfraquecimento do governo. A imprensa grega destacou nesta terça-feira a impotência de Karamanlis diante dos protestos.
"Chamas se alastram enquanto o governo assiste", disse o jornal Kathimerini. "À mercê da anarquia", foi a manchete do Eleftheros Typos.
Os economistas prevêem que o crescimento do país em 2009 ficará abaixo de 2%, depois de uma média de 4% na última década. O desemprego está em 7% e subindo, e a inflação permanece teimosamente elevada.
Premiê grego pede união política contra manifestações
Terça, 09 de Dezembro de 2008 às 08:22, por: CdB