O sindicato trabalhista CGT disse que a manifestação de Paris seria a maior demonstração de força desde que os protestos contra a reforma trabalhista tiveram início no começo de março
Por Redação, com Reuters - de Paris:
O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, pediu nesta quarta-feira para a central sindical CGT parar de organizar manifestações em massa em Paris contra a controversa reforma trabalhista, após novos confrontos entre jovens mascarados e a tropa de choque da polícia em um protesto.
Às margens de uma marcha liderada pela CGT na terça-feira, grupos de jovens com máscaras negras atiraram coqueteis molotov contra a polícia e quebraram janelas, incluindo a do principal hospital infantil de Paris.
– Quando você não pode organizar uma manifestação e tomar responsabilidade, deixando bandidos no meio da marcha... então você não organiza este tipo de manifestação que pode degenerar – disse Valls à rádio France Inter.
A polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar os grupos de manifestantes durante o protesto, que, segundo a polícia, teve cerca de 75 mil a 80 mil pessoas em Paris.
O departamento de polícia de Paris relatou 58 prisões, incluindo estrangeiros, sendo que 24 policiais e 17 manifestantes ficaram feridos.
Valls também prestou apoio às forças policiais após a morte nesta semana de um policial e sua esposa por um francês que disse ser leal ao Estado Islâmico.
Reforma trabalhista
Diante de um forte esquema de segurança, dezenas de milhares de pessoas protestaram na terça-feira em Paris contra uma proposta de reforma de leis trabalhistas que facilitaria contratações e demissões.
Jovens mascarados e encapuzados se envolveram em batalhas recorrentes com o batalhão de choque enquanto milhares de manifestantes marchavam pelas ruas parisienses.
O Departamento de Polícia de Paris relatou 13 prisões nos momentos iniciais dos confrontos. Jovens destruíram vitrines de lojas e atiraram projéteis contra os policiais, e as ruas ficaram repletas de gás lacrimogêneo e destroços. A torre Eiffel foi fechada pelo restante da terça-feira, já que seus funcionários deixaram o trabalho para se unir à manifestação, tornando impossível garantir uma operação segura da maior atração turística da França, disse a empresa que a administra.
Depois de confrontos violentos entre o batalhão de choque e jovens mascarados em passeatas anteriores, 130 arruaceiros foram proibidos de circular no centro da capital francesa para limitar o risco de mais brigas, de acordo com o chefe de polícia de Paris, Michel Cadot.
O sindicato trabalhista CGT disse que a manifestação de Paris seria a maior demonstração de força desde que os protestos contra a reforma trabalhista tiveram início no começo de março.
O governo do presidente francês, François Hollande, se recusou a descartar a reforma, que aprovou na Assembleia Nacional por decreto no mês passado e que quer sancionar em julho.