Rio de Janeiro, 22 de Março de 2026

Premiê do Iraque dá ordem às tropas do EUA e suspende cerco a xiitas

Terça, 31 de Outubro de 2006 às 11:52, por: CdB

Primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, em uma prova de sua influência sobre os militares norte-americanos, ordenou na terça-feira o levantamento de um cerco imposto uma semana atrás em torno do reduto da milícia controlada por um aliado xiita dele em Bagdá. Outros postos de controle responsáveis por provocar congestionamentos em Bagdá na última semana em meio aos esforços de forças dos EUA e do Iraque para encontrar um soldado norte-americano sequestrado também seriam desmobilizados às 17h (11h em Brasília), afirmou Maliki em um comunicado.

Porta-vozes dos EUA disseram inicialmente não ter informações sobre a ordem distribuída para os meios de comunicação e limitaram-se a afirmar que os militares tentariam "responder às reclamações surgidas devido aos postos de controle". Mas, segundo um assessor de Maliki, a medida, que aparece dias depois de atritos entre o premiê e autoridades dos EUA às vésperas de os norte-americanos elegerem um novo Congresso, haviam sido acertadas com o embaixador dos EUA e com o comandante das forças norte-americanas no Iraque.

Soldados dos EUA foram vistos abandonando suas posições ao redor de Sadr City, a grande favela controlada pela milícia Exército Mehdi, do clérigo anti-EUA Moqtada al-Sadr. As forças iraquianas responsáveis por outros postos de controle permitiam a passagem livre dos veículos. Uma multidão reunida em frente à sede local da organização de Sadr, em meio a disparos de armas de fogo para o alto, celebrava o fim do que um homem de idade chamou de um "cerco bárbaro e selvagem".

Maliki e autoridades dos EUA entraram em rota de colisão na última semana, antes das eleições norte-americanas de 7 de novembro. O pleito pode tirar do Partido Republicano, do presidente George W. Bush, o controle do Congresso. No episódio violento mais recente a acontecer no Iraque, mais de 40 pessoas, segundo a polícia, desapareceram depois de um sequestro em massa realizado em meio a ataques contra microônibus que viajavam rumo a Bagdá vindos do norte.

Na capital, um carro-bomba explodiu perto de um comboio de veículos vindos de uma festa de casamento, matando até 15 pessoas, entre elas quatro crianças, e ferindo 19, disseram fontes do Ministério do Interior. Maliki resiste às pressões dos EUA para fixar um cronograma prevendo o desmantelamento das milícias de xiitas aliados e exigiu ter mais liberdade para comandar as Forças Armadas do país, organizadas recentemente.

"O comandante-em-chefe, primeiro-ministro Nuri al-Maliki, ordenou o levantamento de todas as barreiras e postos de controle, abrindo as ruas e facilitando o tráfego em Sadr City e em outros bairros de Bagdá. As forças de coalizão viram a ordem", afirmou o principal porta-voz dos militares dos EUA no Iraque, tenente coronel Christopher Garver. "Nossos comandantes estão estudando como as forças de coalizão podem responder, da melhor forma possível, à preocupação do primeiro-ministro com os postos de controle", disse o gabinete do premiê em um comunicado.

Cerco

O grupo de Sadr, acusado pela minoria sunita de manter esquadrões da morte, deu ordens para que os 2 milhões de moradores da favela ficassem dentro de suas casas e para que as lojas fechassem as portas como forma de protesto. Um assessor de Maliki disse que o primeiro-ministro "discutiu" o levantamento do bloqueio com o embaixador norte-americano no Iraque, Zalmay Khalilzad, e com o general George Casey, comandante das forças dos EUA no país.

- As áreas atingidas pela ordem são os locais onde o tráfego de veículos está ruim demais por causa dos postos de controle - afirmou.

Os motoristas passavam horas parados no trânsito em algumas regiões da cidade enquanto os soldados norte-americanos tentavam encontrar o militar desaparecido. O refém, um tradutor, foi sequestrado provavelmente por milicianos xiitas enquanto visitava parentes iraquianos na parte leste da capital.

- Há dias, as pessoas estão sof

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