Premiê de Israel cobra clareza do grupo palestino Hamas
PARIS (Reuters) - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu na quinta-feira em Paris que o grupo islâmico palestino Hamas esclareça sua posição com relação a Israel, antes que o processo de paz entre israelenses e palestinos possa ser retomado.
Falando a jornalistas após se reunir com o presidente Nicolas Sarkozy, Netanyahu acusou o Hamas de desejar a criação de um Estado palestino para perseguir seu objetivo de destruir Israel, ao invés de conviver em paz.
"A ideia não é estabelecer um Estado palestino para continuar o conflito, como quer o Hamas. A ideia é estabelecer um Estado palestino para acabar com o conflito", disse Netanyahu.
"Acho que a clareza é necessária, porque na verdade o que está em discussão hoje é criar um Estado palestino a fim de melhorar as posições a partir das quais o Hamas pretende jogar Israel no mar."
Na quarta-feira, em Londres, Netanyahu qualificou o pacto de unidade entre as facções Hamas e Fatah como "um tremendo golpe para a paz".
A Fatah, que apoia a paz negociada com Israel, e o Hamas, cujo estatuto defende a destruição de Israel, encerraram na quarta-feira os seus quatro anos de divergência, ao assinarem no Egito um tratado de reconciliação.
Sarkozy disse a Netanyahu que os movimentos pró-democracia que varrem o mundo árabe representam uma oportunidade para a retomada do processo de paz, segundo uma fonte próxima à Presidência francesa.
Essa fonte disse que a retomada do processo ainda depende da forma que o governo palestino assumirá, e de qual será o papel do Hamas. "É importante que tudo isso seja esclarecido", afirmou.
As negociações entre Israel e a Autoridade Palestina, comandada pela Fatah, foram rompidas no ano passado. Agora, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, espera que a ONU apoie a declaração de independência palestina em todos os territórios ocupados por Israel em 1967.
Netanyahu criticou tal intenção, dizendo que a paz "só pode acontecer por meio de negociações entre Israel e os palestinos, e não por um ditame da ONU".
Sarkozy disse à revista L'Express, em entrevista publicada nesta semana, que a França reconhecerá o Estado palestino caso as negociações de paz não sejam retomadas até o final de 2011.
(Reportagem de Yann Le Guernigou, Emmanuel Jarry e Nicholas Vinocur)
Reuters