A Associação Riograndense de Empreendimentos, Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS) estima prejuízos de R$ 4,4 bilhões na economia do estado, que sofre com a estiagem.
- O cálculo é somente no que deixa de ser colhido, sem levar em conta os reflexos que esses produtos têm nas cadeias produtivas, o que totalizaria várias vezes essa estimativa - explica Ricardo Scwarz, diretor técnico da Embraer.
A Emater avalia prejuízos de 60% para a lavoura de soja, principal cultura gaúcha, de 55% para a produção de milho, de 37% para a lavoura de feijão - desenvolvida basicamente por agricultores familiares - e de 11 a 12% nas lavouras de arroz.
Ricardo Schwarz afirma que as chuvas dos últimos dias podem dar ânimo aos produtores, que enfrentam a pior estiagem dos últimos 70 anos no Rio Grande do Sul, mas não irá reverter os prejuízos já estimados. Segundo ele, apenas os plantadores de soja poderão ser beneficiados por causa do estágio em que se encontra a lavoura.
- A esperança é de que a retomada a normalidade, em termos de precipitação (chuva), vai permitir que os agricultores façam o plantio de culturas de inverno e a melhoria em termos de pastagens nativas que favorecem a pecuária de leite e de corte - afirmou.
Segundo o técnico da Emater, a perda de 55% em média no cultivo do milho só não foi maior por causa das lavouras plantadas até o início de outubro e colhidas recentemente:
- O grande prejuízo vem ocorrendo nos 50% plantados depois de meados de outubro de 2004, quando se intensificou o quadro de estiagem no estado. Em algumas zonas onde as perdas são totais as lavouras de milho estão sendo destinadas à alimentação animal de forma direta (pastoreio) ou em forma de silagem.
Com o tempo seco e a boa iluminação, 12% das lavouras já foram colhidas, 33% dos grãos estão maduros e por colher e 37% em enchimento de grãos.