Prejuízo na Eletrobras, leilão e seca movimentam setor hidrelétrico
A Eletrobras registrou um prejuízo líquido de R$ 5,5 bilhões no quarto trimestre, quase metade das perdas registradas um ano antes, quando a empresa reduziu de forma expressiva o valor contábil de ativos diante do processo oneroso de renovação de concessões do setor elétrico.
A Eletrobras registrou um prejuízo líquido de R$ 5,5 bilhões no quarto trimestre
A Eletrobras registrou um prejuízo líquido de R$ 5,5 bilhões no quarto trimestre, quase metade das perdas registradas um ano antes, quando a empresa reduziu de forma expressiva o valor contábil de ativos diante do processo oneroso de renovação de concessões do setor elétrico. Na comparação com o terceiro trimestre de 2013, o prejuízo consolidado da holding estatal cresceu mais de cinco vezes, influenciado, nessa base comparativa, por despesa financeira líquida de R$ 556 milhões e aumento de 44% nas despesas com pessoal, material e serviços, sendo o primeiro item influenciado pelos gastos com o plano de demissão voluntária.
Além disso, pesaram sobre a linha final do demonstrativo de outubro a dezembro de 2013 quase R$ 3,7 bilhões em provisões operacionais. Os maiores lançamentos aí foram reduções no valor contábil de ativos de geração e transmissão da Chesf (R$ 620,3 milhões) e da Eletronuclear (R$ 532,5 milhões). A receita líquida da Eletrobras totalizou R$ 6 bilhões no quarto trimestre, contra R$ 8,2 bilhões um ano antes, afetada por menores tarifas em geração e transmissão de energia que tiveram suas concessões renovadas antecipadamente.
A geração de caixa medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi negativa em R$ 1,4 bilhão no quarto trimestre na soma das empresas controladas pela Eletrobras. Apenas as distribuidoras federalizadas tiveram Ebitda negativo de R$ 1 bilhão no período. No acumulado de 2013, a Eletrobras teve prejuízo de R$ 6,3 bilhões, contra perda de R$ 6,9 bilhões em 2012. A receita líquida anual caiu quase 15%, para R$ 23,8 bilhões.
Leilão
O setor de energia também foi movimentado, nesta sexta-feira, com o leilão da hidrelétrica Três Irmãos, na primeira licitação de concessão entre aquelas que não foram renovadas dentro das regras divulgadas pelo governo em 2012. Sete empresas mostraram interesse em realizar visita técnica na usina e seriam as potenciais interessadas em disputar a concessão da usina, atualmente operada pela Cesp, geradora de energia controlada pelo governo do Estado de São Paulo.
Essas empresas são AES Tietê, Copel, Furnas, Duke Energy International - Geração Paranapanema, Campos Novos Energia, Enerpeixe e Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). A Campos Novos Energia tem entre seus acionistas a CPFL Geração (48,7%), do grupo CPFL, a Companhia Brasileira de Alumínio (33,1%), Votorantim Metais (11,5%) e CEEE-GT (6,5%), segundo informações no site da companhia. Já a Enerpeixe é uma empresa constituída por EDP Energias do Brasil (60%) e Furnas (40%).
A hidrelétrica Três Irmãos teve sua concessão vencida em novembro de 2011 e governo federal incluiu a usina nas regras para renovação das concessões do setor elétrico com redução da receita, em 2012. A Cesp, que era a concessionária da usina, não aceitou renovar a concessão de acordo com as regras apresentadas pelo governo federal, e chegou a tentar impedir a realização do certame.
O edital do leilão desta sexta-feira não incluia a operação do canal de navegação Pereira Barreto e das eclusas, os quais a Cesp considera que fazem parte da usina e devem ser operadas pelo concessionário que arrematar a hidrelétrica. O vencedor será remunerado por meio de Receita Anual de Geração (RAG), composta pela GAG mais encargos e tributos, pelo prazo da concessão, de 30 anos. Localizada no rio Tietê (SP), a hidrelétrica tem capacidade instalada de 807,5 megawatts (MW) e sua primeira unidade geradora entrou em operação em 1993.
Seca
As condições climáticas do país, no entanto, mantiveram o nível de água do Sistema Cantareira, que abastece mais da metade da região metropolitana de São Paulo, em uma trajetória de queda e ficou abaixo do nível de 14%, segundo dados no site da Sabesp nesta sexta-feira. O nível do sistema atingiu 13,8% nesta sexta-feira. Na véspera, estava em 14%. A trajetória de queda do nível do sistema tem levantado preocupações sobre o risco de racionamento de água, o que tem sido negado pela Sabesp e pelo governo estadual.
No fim da semana passada, o governo paulista anunciou que espera para até início de junho conclusão de obras que permitam a captação de água do fundo dos reservatórios do sistema, em um esforço para evitar racionamento de água na maior cidade do Brasil e uma das maiores da América Latina em um ano de Copa do Mundo e eleições. São Paulo também pretende interligar a bacia do rio Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira, mas a proposta tem gerado polêmica diante da resistência do governo do Rio de Janeiro, Estado abastecido pelo Paraíba do Sul.
A Sabesp já tinha lançado, em 1º de fevereiro, medida para incentivar a redução do consumo de água do Sistema Cantareira, com desconto de 30% para os consumidores que reduzirem o consumo em 20% em relação à média dos 12 meses anteriores.
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