Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

Prefeituras de Minas Gerais ameaçam nova paralisação em agosto

Segunda, 04 de Agosto de 2003 às 22:53, por: CdB

Em protesto pela redução nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), pelo menos 23 prefeituras do interior de Minas Gerais, que integram a Associação dos Municípios da Vertente Ocidental do Caparaó (Amoc), paralisaram na última segunda-feira suas atividades.
 
A suspensão da prestação dos serviços públicos - apenas os chamados serviços essenciais, como saúde, educação e limpeza foram mantidos - por 24 horas faz parte de uma estratégia elaborada pela Associação Mineira de Municípios (AMM) de realizar durante o decorrer da semana paralisações pontuais em diversas regiões do Estado.

Conforme a AMM, cerca de 80 cidades do Sul e Sudoeste de Minas deverão suspender os serviços nesta terça-feira.

A presidente da AMM e prefeita de Três Pontas, Adriene Barbosa (PL), disse que a entidade já decidiu por uma paralisação geral, 'ainda em agosto', independentemente da decisão tomada em nível nacional pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que se reúne hoje e quarta-feira, em Brasília.

- Nós decidimos que, se houver uma mobilização nacional, Minas estará inserida. Mas, se por ventura, for definido que não haverá paralisação, os municípios do Estado irão paralisar de qualquer maneira - afirmou Adriene, estimando uma adesão de 89% dos 853 municípios mineiros.

De acordo com a presidente da AMM, a queda no repasse do FPM para aproximadamente 80% dos municípios do Estado chega a 45,4%.
Ela classifica como 'caótica' a atual situação administrativa das cidades mineiras.

- Muitos municípios já não estão conseguindo cumprir os compromissos com os fornecedores e manter os serviços normais. Outros só estão funcionando durante meio período - afirmou Adriene.
O presidente da Amoc, Paulo Sérgio Reis Ladeira, se reuniu na segunda-feira com deputados federais de Minas. Ele pediu que os parlamentares mineiros intercedam para que o Governo federal libere uma cota de emergência para os municípios.

Prefeito de Taparuba, cidade de pouco mais de três mil habitantes, localizada na região do Rio Doce, a 356 quilômetros de Belo Horizonte, Ladeira afirma que os repasses do FPM caíram de R$ 187 mil em maio para R$ 96 mil em julho.

- Isso provocou um colapso no atendimento da Prefeitura - observou Ladeira, para quem os municípios com menos de 10 mil habitantes estão vivendo uma 'situação de penumbra'.

Ele disse que a atual conjuntura poderá levar a demissões.
- Se, em agosto, não aumentar o repasse nós vamos ser obrigados a demitir - ameaçou Ladeira.

A estimativa da AMM é de que mais de 100 prefeitos de Minas participarão da convocação da CNM e estarão hoje em Brasília.

De acordo com Adriene, as entidades pretendem acompanhar o relatório final da reforma tributária na Comissão Especial da Câmara e irão pressionar pela inclusão dos municípios nos recursos arrecadados com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

- As reformas não atingirão os seus objetivos se não ouvirem a sua base, que são os municípios - afirmou o prefeito de Taparuba.

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