O excesso de painéis, cartazes e outdoors por toda a parte que encobre lojas e esconde o perfil da cidade, até mesmo, às vezes, uma casa bonita – mas nem sempre. As placas que saíram revelam fachadas em ruínas, outro grande problema dos grandes centros.
A iniciativa de organizar as cidades começou em São Paulo e se espalhou pelo Brasil. Dá para notar a diferença, mas às vezes o que se vê decepciona. A retirada das placas revelou ora bonitos prédios, ora o descuido com as fachadas dos prédios.
Segundo a prefeitura de São Paulo, foram retirados 95% da publicidade irregular. Esta iniciativa está ganhando adeptos em outras cidades do país.
A poluição visual entrou na mira da lei. Em Belo Horizonte, a prefeitura só precisou aplicar o código de posturas do município. Desde junho, pelo menos 780 outdoors foram removidos.
Em Brasília, foram retirados 450 painéis irregulares e que sujavam áreas tombadas da cidade. O projeto “Brasília cartão-postal” começou em julho. No mês seguinte, foi a vez de o Recife fazer uma operação de despoluição visual. Na primeira semana, foram retirados 54 outdoors.
Vanguarda
A onda de limpeza do espaço urbano começou no início do ano em São Paulo, com o projeto “Cidade limpa”. Desde janeiro, 1.020 placas e outdoors foram retirados pelos fiscais. Algumas empresas também recolheram centenas de equipamentos. Outras conseguiram liminares na Justiça para manter a publicidade.
O gerente de uma rede de farmácias se adequou à lei, mas acha que a prefeitura deveria analisar cada caso individualmente. — Nós tivemos uma perda aproximada de 10% a 15% no faturamento mensal da loja — calcula.
No Vale do Anhangabaú, a mudança é visível. Cartões-postais da cidade estão sendo redescobertos pelos turistas e pelos paulistanos.
“Dá para ver uma coisa limpa. Você vê os prédios, você não vê só placa. Mudou bastante, com certeza para melhor”, disse a estudante Helena Rodrigues.
Sem as grandes placas que encobriam centenas de prédios, São Paulo voltou a ver fachadas que há muitos anos estavam escondidas. A lei “Cidade limpa” revelou que uma parte da cidade está abandonada.
A placa saiu, mas os aparelhos de ar-condicionado mal-instalados continuaram como estavam. Laterais inteiras de edifícios precisam ser repintadas. Muitos suportes e alguns outdoors caindo aos pedaços continuam de pé.
Cortiços, antes ocultos, agora enfeiam grandes avenidas. A prefeitura não tem um plano para recuperar esses imóveis. Espera que os donos se decidam e tenham dinheiro para a reforma.
— A gente tem percebido é que o próprio proprietário tem interesse nessa reforma. O que, às vezes, há é falta de recurso para fazer essa reforma imediatamente. O pessoal está dando prazo, mas a gente tem certeza de que a cidade voltará a ser conservada como deveria sempre ter sido — afirmou o secretário de Coordenação das Subprefeituras da Prefeitura de São Paulo, Andrea Matarazzo.
Quem elogia a lei espera o resultado definitivo para que as paisagens sejam reveladas. — Olha que lindo está isso. Está bonito de se ver — elogia uma senhora.
Em São Paulo, a prefeitura oferece desconto no IPTU como incentivo para reformas nas fachadas de prédios tombados no Centro da cidade.