Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2026

Prefeitura de São Paulo embarga 21 obras de prédios na cidade com suspeita de fraude na autorização

Terça, 30 de Agosto de 2011 às 14:57, por: CdB

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O Diário Oficial do Município publicou hoje (30) o embargo das obras em 21 prédios que estão sendo construídos na cidade e que tiveram seus alvarás de aprovação e execução suspensos por suspeita de irregularidades. Segundo a Corregedoria-Geral do Município, dez construtoras e empresas forjaram o pagamento de outorga onerosa, taxa paga à prefeitura que permite a construção de imóveis com altura acima do limite previsto.

O prefeito Gilberto Kassab disse hoje que a “prefeitura foi assaltada” pelas construtoras. “Sempre digo que aqueles que foram assaltados não esperam ser assaltado. A prefeitura foi assaltada. Se soubéssemos que poderia estar acontecendo isso, teríamos evitado”, declarou o prefeito, ressaltando que a solução para o caso passa, em primeiro lugar, “por punições exemplares”. E, depois, pela recuperação dos recursos.

Kassab também comentou a notícia de que uma dessas empresas teria como sócios parentes da primeira-dama, Lu Alckmin, mulher do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Primeiro, para nós, não interessa [saber] quem seja proprietário de uma obra, reforma ou projeto. Em relação às medidas, elas serão de natureza jurídica, portanto compete à corregedoria e às secretarias envolvidas adotar as providências”.

Três construtoras acusadas de fraudar o pagamento das outorgas onerosas se manifestaram por meio de comunicado. A Zabo Engenharia, responsável por uma obra na região da Avenida Paulista, informou que tomou conhecimento hoje da suspensão dos efeitos de alvarás de aprovação e execução das obras. “A Zabo esclarece que procedeu ao pagamento da contrapartida financeira das outorgas onerosas com títulos da dívida municipal, adquiridos em boa-fé”, diz o comunicado.

Também por meio de nota, o diretor Marco Antonio Melro, da Porte Construtora - que teve oito obras na zona leste embargadas, disse que sua empresa, “de maneira equivocada” foi apontada como integrante do esquema de corrupção. “Por isso venho a público para afirmar, de maneira categórica e irrefutável, que a Porte Construtora foi vítima de estelionato, praticado, segundo o Ministério Público, por um grupo de despachantes”. A empresa informou ainda que já está tomando as medidas judiciais cabíveis para punir os responsáveis pelo esquema.

A Onoda Engenharia declarou, também por meio de um comunicado, que foi surpreendida com a notícia de que suas obras seriam embargadas pela prefeitura. A empresa disse que já adotou as medidas judiciais cabíveis para evitar o embargo de sete obras e que “nenhum de seus consumidores arcará com qualquer tipo de prejuízo”.

 

Edição: Aécio Amado

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