Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Prefeitos contestam dados sobre desmatamento na Amazônia

Sexta, 25 de Janeiro de 2008 às 14:37, por: CdB

A explicação do primeiro e do terceiro município que aparecem no ranking dos que tiveram mais desmatamento entre agosto e dezembro do ano passado é praticamente a mesma. Para os prefeitos de Marcelândia e Querência, ambos no Mato Grosso, o grande número de áreas queimadas no ano passado pode ter sido confundido com a realização de desmatamentos.

Na quinta-feira, o governo federal divulgou uma lista de 36 municípios que terão prioridade nas ações de prevenção e controle do desmatamento, identificados com base em monitoramento por satélite. Nessas cidades, já estão proibidas novas autorizações de derrubadas. Na quarta-feira, o Ministério do Meio Ambiente o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentaram dados que mostram a devastação de 3.235 quilômetros quadrados na região amazônica de agosto a dezembro de 2007.

Adalberto Diamante, prefeito de Marcelândia, que foi apontada como a cidade que mais desmatou nos últimos cinco meses de 2007, diz que há um controle intenso da Secretaria Estadual de Meio Ambiente na região e que não houve desmatamento no ano passado.

— Tivemos queimadas descontroladas no município, que estão aparecendo nas imagens de satélite como desmatamento —, afirma.

O prefeito diz que irá fazer um levantamento detalhado da situação do município, em parceria com organizações não-governamentais e institutos.

O prefeito de Querência, Fernando Goergen, que ficou em terceiro lugar na colocação, também contesta a informação do Inpe.

— Devem ter confundido queimadas de pasto com desmatamentos —, afirma, lembrando que no ano passado houve um grande número de áreas queimadas na cidade.

— É uma inverdade o que estão publicando —, diz o prefeito.

Segundo ele, tanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quanto a Secretaria Estadual do Meio Ambiente fazem uma fiscalização bastante rigorosa em relação aos desmatamentos na região.

— Qualquer ocorrência de desmatamento é imediatamente denunciada —, alega.

O prefeito garante que no município, que tem a economia baseada na agricultura e pecuária, “o meio ambiente e a agricultura vivem em harmonia, desde que seja obedecida a legislação ambiental”.

A prefeita de Alta Floresta (MT), Maria Izaura Alfonso, também discorda da inclusão do município na lista dos mais desmatados.

— Não sabemos de derrubadas no nosso município. Estamos nos sentindo injustiçados por esta medida —, afirma.

A cidade ficou em 23º lugar no ranking das que mais desmataram ano passado. Segundo ela, a prefeitura vai fazer uma reunião com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e com o governador do Mato Grosso para definir ações conjuntas.

— Vamos fazer um levantamento, ver o que aconteceu. Não podemos ser penalizados dessa maneira, de jeito nenhum —, diz a prefeita.

A grande extensão territorial do município de Altamira (PA) – 159 mil quilômetros quadrados – e a falta de pessoal para combater os desmatamentos são apontadas pelo secretário municipal de gestão do Meio Ambiente e Turismo, Francisco Modesto da Silva, como as causas para que a cidade esteja em 14º lugar na lista das mais desmatadas.

— Temos uma dificuldade muito grande de acompanhar toda a dimensão do município, principalmente na questão do desmatamento —, argumenta o secretário, lembrando que a estrutura municipal é pequena para conter as derrubadas.

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