Processos e condenações por irregularidades administrativas não estão impedindo prefeitos e ex-prefeitos de disputarem a eleição em Minas Gerais. Estão concorrendo até mesmo pessoas que foram afastados de seus cargos pela Justiça Eleitoral por abuso do poder econômico e político na última campanha eleitoral.
O prefeito de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Antônio do Carmo Neto (PMDB), o "Tunico da Bruma", por exemplo, apesar de processado e condenado criminalmente pelo Tribunal de Justiça a 18 meses de detenção por improbidade administrativa, continua no cargo, está respondendo a processos e disputa a reeleição, mesmo enfrentando pedidos de impugnação. "Quanto mais processos abrirem contra mim, tentando me prejudicar, mais eu cresço politicamente, porque a minha administração é em prol do povo", afirma.
O ex-prefeito de Matozinhos, também na Grande BH, Adão Pereira Santos (PMN), foi afastado com menos de um ano no cargo por abuso do poder político e econômico. Hoje, Adão é candidato pelo PMDB.
Dos 853 prefeitos de Minas, 506 estão sendo processados ou investigados pela Procuradoria de Justiça Especializada em Crimes de Prefeitos. Segundo dados da Procuradoria, o número de processos é superior. São 1.372, porque muitos prefeitos estão respondendo a mais de um processo.
Só o prefeito de Fortaleza de Minas, sul do Estado, Jovani Neferson de Souza (PTB), está respondendo a 23 denúncias. O prefeito de Ijaci, também no sul, Clebel Ângelo Márcio Pereira (PFL), está respondendo a 12 processos.
De acordo com levantamento feito pelo TRE, 430 prefeitos de Minas Gerais são candidatos à reeleição. O prazo final para julgamento de todos os pedidos de registro dos candidatos, inclusive os impugnados, termina dia 14 de agosto.