Rio de Janeiro, 15 de Outubro de 2026

Prefeito do Rio aponta mais de 20% de "quase indecisos"

Sexta, 24 de Outubro de 2008 às 10:59, por: CdB

Prefeito do Rio, o economista e analista político Cesar Maia avaliou em seu ex-blog (uma publicação que segue via mensagem eletrônica para assinantes) desta sexta-feira que "há muitos anos, no Rio, que nos dois dias antes do momento de votar, são 20% os que admitem mudar o voto". Segundo o prefeito, a probabilidade de isso acontecer "depende da dinâmica eleitoral". Os programas e inserções na TV "já não impactam mais", afirmou.

"O debate só muda voto por uma gafe transcendental e sempre se participa de forma defensiva para evitar isso. O volume de campanha na rua cai muito no sábado pela legislação eleitoral. Muito raramente ocorre um fato espetacular", escreveu Maia.

Haveria, segundo o analista, duas maneiras de o eleitor mudar o voto: "A primeira é existir uma corrente ascendente anterior como ocorreu no primeiro turno. Em 2000, as pesquisas publicadas pelo Ibope e Datafolha nos jornais da quinta-feira antes da eleição coincidiam. Em votos válidos Conde tinha 59% e Cesar Maia 41%. No domingo venceu Cesar Maia por 51% a 49%. Não é o caso hoje no Rio, quando desde terça-feira (7 de outubro) os dois candidatos se encontram num mesmo patamar, entre 44% Gabeira e 40% Paes, oscilando na margem de erro e nos desvios de pesquisa.

"Sendo assim fica o elemento central de todas as eleições para os últimos dois dias: o argumento. Se os fluxos de opinamento destes 20% estão "sonambulizados", para usar uma expressão de Gabriel Tarde, ou seja, só reagem quanto ativados por "opinion makers" individuais e pontuais, será apenas a força do argumento cara a cara que poderá mudar o voto destes 20%. E poderá mesmo.

"Claro que as campanhas devem dar visibilidade nas ruas e TVs, ao clima de vitória, mesmo sabendo que estão apenas produzindo cenário. O que pode mudar o voto é a "pré-boca de urna", ou seja, o contato entre as pessoas, onde moram, onde trabalham, onde se distraem (sábado). Importuná-las com panfletos e carros de som, pode ter efeito contrário. Há que se conversar e conversar.

"Quando um eleitor que tem intenção de voto e não decisão de voto é convencido e muda sua opinião, passa de "sonâmbulo a tímido" (na linguagem de Gabriel Tarde) e passa a ser um multiplicador local mais ativo. Portanto a eleição pode abrir a favor de um candidato, desde que seus eleitores "loucos" (na linguagem de Tarde os que iniciam ou fundam fluxos de opinamento) em vez de apenas torcer em casa, passem a telefonar, conversar, convencer... preparando argumentos curtos e sólidos a favor do seu e contra o outro. O argumento contra deve ser aquele que traz vergonha ao voto", afirmou o prefeito. O argumento a favor deve ser aquele que dá orgulho ao voto. São 20% à disposição dos "loucos".

Data-blog

O Ibope, ainda segundo Maia, "castigado pelos erros do primeiro turno, veio com tudo. Abriu a amostra para 2002 eleitores. A margem de erro foi minimizada. Encontrou 43% x 43%. Mas dois problemas subsistem: a pesquisa em meio de semana e o perfil da abstenção".

De acordo com o prefeito do Rio, o Datafolha manteve a amostra em 1313 eleitores e encontrou dificuldades. "No caso do Datafolha há três problemas: Pesquisa em meio de semana, o perfil da abstenção e a pesquisa em ponto de fluxo. A última semana abriu com uma presença muito grande da campanha do PMDB, com  carros de som por toda a cidade repetindo o jingle e panfleteiros na rua por todo lado, seja dos panfletos pró, como dos panfletos apócrifos. Vários cartazes voltaram aos corredores. Essa presença da campanha do PMDB se dá especialmente nos pontos de concentração, onde o Datafolha pesquisa em pontos de fluxo. Isso explica a inversão de 2 prá cá, dois prá lá que se chama de "memória instantânea".
 
"Portanto tratemos dos dois problemas básicos: pesquisa no meio da semana e abstenção no dia da eleição. Aceitemos os números do Ibope pelo cuidado extremo que teve nessa pesquisa, pois está em jogo a sua marca ou credibilidade", disse.

Divergências

Maia encontrou divergências nos resultados apresentados por dois institutos de pesquisa: O GPP e o Data-blog. O GPP projeta uma vitória de Gabeira por 2 pontos de diferença usando todas as pesquisas e mais os ajustes via grupo controle (painel), enquanto o Data-Blog projeta uma vitória de Gabeira por 5 (cinco pontos), levando em conta também o perfil da abstenção.

O analista político também apontou falhas no discurso do representante do Datafolha. Ao explicar os números do Datafolha para o Rio, José Roberto de Toledo do Terra disse, nesta quinta-feira, que "a virada do Paes (na pesquisa de 2º turno) se explica por uma mistura de preconceito e por uma falha de comunicação da campanha de Gabeira. A foto dele posando ao lado do pastor soou falsa. Talvez tenha sido o motivo principal para interromper a onda a favor dele. Isso vai de encontro à imagem de novidade, e que foi o que alanvacou a sua campanha no fim do 1º turno e no começo do 2º. Essa postura de final de campanha é uma contradição.”

"A pesquisa foi feita terça e quarta-feira. Mas a foto foi publicada na quinta-feira. Pegou mal para o Datafolha seu diretor escorregar desse jeito. Parece até estar no jogo como torcedor e não como juiz. Coisa feia!", diz o prefeito.

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