O prefeito de Londres, Ken Livingstone, aumentou a tensão com a comunidade judaica no Reino Unido depois de chamar o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, de "criminoso de guerra", em um artigo publicado, nesta sexta-feira, no jornal <i>The Guardian</i>.
Livingstone foi centro de uma polêmica há duas semanas por negar-se a pedir desculpas a um jornalista de origem judaica, a quem comparou a "um guarda de um campo de concentração".
Em seu artigo de hoje, o vereador ressalta sua oposição ao racismo, nega ter uma atitude anti-semita e diz que as políticas dos Governos israelenses não são semelhantes às do nazismo.
- Não têm o objetivo de um extermínio sistemático de palestinos, da forma com que o nazismo buscou a aniquilação de judeus. - especifica o prefeito, que no entanto, chama Sharon de "criminoso de guerra que deveria estar na prisão e não no poder".
Acusa também Israel de estender a desinformação sobre o alcance do anti-semitismo na Europa e de buscar silenciar os críticos ao chamá-los de anti-semitas.
- A expansão de Israel inclui limpeza étnica. Palestinos que viveram na terra durante séculos foram expulsos. - afirma.
- Hoje, o governo de Israel continua confiscando terra palestina para assentamentos, incursões militares em países vizinhos e negando o direito de palestinos expulsos por terror de voltarem. - diz.
A Comissão israelense Kahan, prossegue o prefeito, assinalou que Sharon compartilha responsabilidade pelo massacre de Sabra e Chatila (campos de refugiados palestinos em Beirute).
Sobre o racismo na Europa, Livingstone ressalta no jornal que grande parte dos ataques racistas no continente são contra a população negra, asiática ou muçulmana.
O artigo foi publicado depois da polêmica com o jornalista de origem judaica Oliver Finegold, do vespertino Evening Standard, e sua negativa em pedir desculpas por compará-lo a um guarda de um campo de concentração.