A suspeita de que os supostos assassinos do ex-prefeito de Campinas, Toninho do PT, tenham sido executados na cidade paulista de Caraguatatuba é o principal receio da atual prefeita da cidade, Izalene Tiene (PT-SP), de que o assassinato de Toninho do PT fique sem punição. "Para mim, o extermínio desses jovens em Caraguatatuba e o fato dessa investigação não ter sido juntada ao processo que apura a morte de Toninho do PT gera uma duvida muito grande com relação à punição".
A declaração foi dada pela prefeita de Campinas ao presidente da Comissão dos Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Edísio Simões Souto, e ao relator do processo na OAB sobre o caso Toninho do PT, o advogado Roberto de Freitas Filho, na sede da Prefeitura. Eles estão na cidade apurando as circunstancias do assassinato do ex-prefeito de Campinas e o inquérito conduzido pela Polícia da cidade.
Os supostos assassinos de Toninho, conforme a versão final para o crime apontada pela Polícia de Campinas, eram quatro integrantes da quadrilha do seqüestrador Wanderson Newton de Paula, o Andinho. O ex-prefeito teria morrido por acaso, depois de seu veículo ter atrapalhado a fuga de Andinho e dos comparsas em uma região de Campinas.
Três dos quatro integrantes da quadrilha foram encontrados mortos na cidade de Caraguatatuba, dificultando o desfecho da investigação em torno do assassinato do ex-prefeito de Campinas, ocorrido em 10 de setembro de 2001.
Izalene Tiene, que era vice de Toninho em sua gestão, não descarta a tese de crime político para a morte do colega. "Campinas vive um momento de altíssima criminalidade e Toninho enfrentou embates muito fortes, os mesmos, aliás, que estamos enfrentando agora, na tentativa de reduzir esses índices de violência", afirmou a prefeita.
A matéria tornou-se alvo de processo na OAB em maio deste ano, data da apresentação de denúncias de irregularidades no inquérito pela viúva de Toninho do PT, Roseana Moraes Garcia. Ela denunciou graves irregularidades na condução do inquérito pela Polícia de Campinas, tendo o classificado como "recheado de falhas", e afirma que a morte do marido foi crime de mando e não uma mera coincidência.
Acompanharam Edísio Souto e Roberto de Freitas na visita à Prefeitura o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Seccional da OAB de São Paulo, Hédio Silva Junior; o conselheiro estadual da OAB por São Paulo, Aderbal da Cunha Bergo; e o presidente da Subseção da entidade em Campinas, Djalma Lacerda.
No dia de hoje, os integrantes da OAB já estiveram reunidos com a viúva de Toninho do PT, Roseana Garcia; com o secretário de Assuntos Jurídicos da gestão do ex-prefeito; e com o juiz presidente do Tribunal do Júri de Campinas, José Henrique Torres. Edísio Souto ainda deve contactar os promotores que acompanharam o inquérito policial realizado em Campinas.