Rio de Janeiro, 20 de Outubro de 2026

Preços medidos pelo IGP-M registram primeira deflação em dois anos

O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) registrou a primeira deflação, de 0,32% em agosto, desde abril de 2006, quando o índice variou negativamente em 0,42%. A queda foi acentuada em relação a julho, quando houve inflação de 1,76%. (Leia Mais)

Quarta, 27 de Agosto de 2008 às 08:24, por: CdB

O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) registrou a primeira deflação, de 0,32% em agosto, desde abril de 2006, quando o índice variou negativamente em 0,42%. A queda foi acentuada em relação a julho, quando houve inflação de 1,76%. Ao longo deste ano, o índice acumula alta de 8,35% e nos 12 meses até agosto, a alta acumulada é de 13,63%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pela Fundação Getúlio Vargas, que aplica na apuração do IGP-M é a mesma metodologia do IGP-10 e do IGP-DI (índices usados no reajuste, entre outros, dos contratos de aluguel), com a única diferença de ter um período de coleta diferente. O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

O Índice de Preços por Atacado (IPA) também sofreu deflação de 0,74%, contra inflação de 2,20% em julho. O índice relativo aos Bens Finais subiu 0,32% neste mês, contra 0,38% em julho, com a contribuição do subgrupo alimentos processados, indo de 1,23% para 0,39%. Excluídos os subgrupos alimentos in natura e combustíveis, o índice sofreu desaceleração para alta de 0,26%, contra 0,50% um mês antes.

O índice referente ao grupo Bens Intermediários subiu 1,28%, menos que os 2,51% de julho, com a contribuição do subgrupo materiais e componentes para a manufatura (de 2,16% para 0,28%). Excluído o subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, houve alta de 1,26%, contra 2,41% em julho.

O índice de Matérias-Primas Brutas registrou deflação de 4,71%, contra alta de 3,78% um mês antes, com destaque para os itens soja em grão (9,38% para -13,32%), milho em grão (11,64% para -11,46%) e bovinos (7,59% para -0,68%). Já os itens arroz em casca (-4,17% para -0,11%), cana-de-açúcar (-1,01% para 1,39%) e laranja (-6,17% para 5,06%) tiveram alta.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve leve alta, 0,23%, neste mês, após 0,65% no mês passado, com destaque para a redução nos preços do grupo Alimentação (1,41% para -0,46%), com os itens carnes bovinas (6,29% para -0,30%), hortaliças e legumes (-0,97% para -6,51%) e arroz e feijão (5,11% para -1,65%).

A desaceleração chegou ainda aos preços dos grupos Educação, Leitura e Recreação (0,34% para 0,03%), Transportes (0,23% para 0,18%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,56% para 0,54%), com destaque para cursos formais (0,31% para 0,00%), gás natural veicular (4,58% para 3,09%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (1,06% para 0,63%).

Nos grupos Habitação (0,39% para 0,82%), Despesas Diversas (0,25% para 0,84%) e Vestuário (-0,19% para -0,16%), porém, houve alta em itens como tarifa de telefone fixo residencial (de estável para 2,46%), as mensalidade para TV por assinatura (0,20% para 1,45%) e os calçados (-0,09% para 0,57%).

Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 1,27% em agosto, após alta de 1,42% em julho. Os grupos Serviços (1,09% para 0,50%) e Mão-de-obra (1,27% para 0,25%) apresentaram desaceleração; inclusive o grupo Materiais, que também desacelerou de 1,65% para 2,51%.

O resultado surpreendeu analistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters, que esperavam uma deflação de 0,18%, de acordo com a mediana dos prognósticos de 28 instituições financeiras. As estimativas de queda variavam de 0,05% a 0,25%.

Em São Paulo

A inflação ao consumidor em São Paulo registrou pequena variação na terceira quadrissemana de agosto, reflexo do aumento dos custos com habitação que foi compensado pela queda dos preços dos alimentos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,35% no período, seguindo alta de 0,34% na segunda quadrissemana do mês, informou nesta quarta-feira a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Os custos com Habitação foram os que mais pesaram sobre o índice de inflação da capital paulista. Os preços sofreram um aumento de 0,67% na terceira quadrissemana, uma forte aceleração frente ao avanço de 0,25% apurado na quadrissemana anterior.

A alta dos preços de habitação responderam poar 62,26% de toda a variação do IPC na terceira leitura do mês, informou a Fipe. Na outra ponta, os preços do grupo Alimentação (principal responsável pelo repique da inflação nos últimos meses) caíram 0,20% na terceira quadrissemana de agosto, revertendo o avanço de 0,26% apurado na quadrissemana anterior.

Os custos com Transportes subiram 0,30%, depois de terem avançado 0,35% na segunda leitura do IPC de agosto. No caso de Depesas pessoais, os preços subiram 0,70% na terceira quadrissemana, praticamente no mesmo patamar verificado na leitura anterior, quando estes custos registraram um aumento de 0,71%.

Já os gastos com Educação subiram 0,09%, mais que o dobro da alta verificada na segunda quadrissemana do mês. Ainda assim, esses gastos responderam por apenas 0,97% da variação do IPC na terceira quadrissemana de agosto.

O IPC mede a variação dos preços no município de São Paulo de famílias com renda até 20 salários mínimos.

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