Rio de Janeiro, 07 de Agosto de 2026

Preço dos alimentos supera nível mais alto desde 2008, diz FAO

Quinta, 03 de Março de 2011 às 09:05, por: CdB

Alta de 3,7% foi registrada para trigo, arroz e milho; aumentos já duram oito meses consecutivos.

Aumento no valor dos cereais

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

Os preços globais dos alimentos subiram, em fevereiro, pelo 8º mês consecutivo. Em alguns casos, a alta superou os níveis de 2008. A informação foi divulgada pela Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, nesta quinta-feira.

Segundo a agência, a subida de 3,7% ocorreu para o índice do preço de cereais como trigo, arroz e milho. À exceção do açúcar, todos os alimentos da cesta básica ficaram mais caros em fevereiro.

Petróleo

Nesta entrevista à Rádio ONU, de Roma, antes do anúncio, a chefe de Serviços de Operações de Emergência da FAO, Cristina Amaral, lembrou que o preço dos alimentos está fortemente associado ao preço do petróleo.

"Isto não só diretamente como indiretamente. Aumentando o preço do petróleo aumenta o preço do transporte e, por outro lado, aumentam também os preços dos fertilizantes que vão condicionar os preços da produção", explicou

Área Urbana

Já o coordenador do Departamento de Desenvolvimento Social do Banco Mundial para o Brasil, Mark Lundell, acredita que a subida dos preços em áreas urbanas é ainda mais difícil de reverter. Ele falou à Rádio ONU, de Brasília.

"A subida dos preços numa área urbana é muito difícil porque não há medidas para diminuir o impacto. Podem optar por alimentos de menor qualidade mas isso tem um impacto negativo na saúde, especialmente, de crianças e de mulheres grávidas. Então, a resolução depende de estabelecer sistemas de apoios a famílias carentes principalmente quando se verifica um pico de preços assim e pode se verificar a queda de renda e poder aquisitivo das famílias", frisou.

Queda

A FAO prevê uma diminuição da distribuição global de cereais. Diante do aumento da procura e da queda na produção mundial, em 2010, espera-se que este ano ocorra uma baixa importante nos estoques devido à escassez de trigo e outros grãos.

Segundo a agência da ONU, os preços de exportação dos principais cereais aumentaram em pelo menos 70% nos últimos 12 meses.

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