A cotação do petróleo sofre nova alteração, pela manhã, nesta segunda-feira, em terreno próximo aos US$ 140, de acordo com as previsões do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que predisse, no início do ano, que a commodity rumava para os US$ 190, ainda este ano. A crise norte-americana e as seguidas e constantes quedas no valor do dólar, mais uma vez, aquecem os preços devido ao temor de um aumento exagerado na demanda.
O barril do petróleo cru para entrega em julho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), ultrapassou a marca dos US$ 139,89 na abertura do mercado, pela manhã. Na Europa, o barril de petróleo Brent para entrega em agosto também atingiu a marca histórica de US$ 139,32, nesta segunda.
O Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês, o Banco Central norte-americano) derrubou o dólar depois que o Fed de Nova York, uma das 12 divisões regionais do banco, no país, anunciou o índice Empire State, que avalia o desempenho da atividade manufatureira na região de Nova York. O indicador situou-se em -8,7 pontos em junho, contra -3,2 em maio, em um sinal de grave desarticulação deste setor produtivo na região.
O indicador amplia a perspectiva de que o Fed venha a manter sua taxa de juros nos atuais 2% ao ano, neste mês, quando a maioria dos analistas previa uma elevação das taxas, que se tornariam mais atrativas para o mercado investidor. O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, prevê um aumento na sua taxa, em setembro, o que colocaria os juros acima do patamar atual, 4% ao ano. Estes dados levaram o dólar a perder terreno, novamente, frente ao euro.
Como o dólar é referência no mercado petrolífero, ao se desvalorizar amplia a possibilidade de compra da commodity por um número maior de consumidores e, dessa forma, pressiona a demanda que é fixa, regulada pelo cartél da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), da qual a Venezuela é um dos integrantes.
Arábia Saudita
Após a visita, em maio, do atual presidente norte-americano, Gerge W. Bush, à Arábia Saudita (um dos maiores produtores de petróleo do mundo e aliado dos EUA no Oriente Médio), a produção daquele país foi levemente aumentada, a pedido de Bush, para fazer frente aos aumentos de preço no mercado interno dos EUA, mas o anúncio, feito neste domingo, pelo governo da Arábia Saudita, que sinalizou um novo aumento na produção não sensibilizou os investidores e o preço da commodity voltou a subir nesta segunda-feira.
O anúncio ocorreu durante a visita do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que se reuniu com líderes sauditas em Jeddah. Os monarcas árabes concordaram em produzir um adicional de 200 mil barris por dia (algo em torno de 2% da atual produção) a partir de julho.
A decisão saudita de aumentar a produção de petróleo provávelmente atenderá apenas à produção do chamado petróleo pesado, segundo o correspondente de economia da British Broadcasting Company (BBC, na sigla em inglês) Andrew Walker. Segundo ele, as refinarias especializadas capazes de transformar este tipo de petróleo em gasolina e diesel tem limitações para aumentar sua capacidade, e o processamento do petróleo cru pesado é mais caro.
Analistas internacionais interpretam a decisão do governo saudita como uma indicação do rumo que a Opep seguirá.
- Penso que a Opep vai adicionar barris na produção na próxima semana, e terá de ser um aumento significativo o suficiente para o mundo ver a diferença - disse à agência inglesa de notícias Reuters o analista Rob Laughlin, da MF Global.
A Arábia Saudita é o único país com capacidade ociosa suficiente para realizar um aumento de produção substancial, o país poderia elevar sua produção em mais 2 milhões de barris diários. Em maio, o governo saudita já havia elevado sua produção