Os preços dos contratos futuros de petróleo mantiveram a tendência de alta durante toda a manhã de terça-feira, nas principais bolsas de Londres e Nova York, com recorde sobre recorde de preços. Até às 8h (horário de Brasília), o preço do petróleo tipo Brent registrava a máxima histórica de US$ 105,40 o barril, em Londres. Já o petróleo leve (tipo WTI), negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), atingiu US$ 109,20 o barril, em outro recorde histórico. Apesar da alta consistente, a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) reafirmou que não pretende rever suas metas de produção.
A debilidade do dólar frenta às demais moedas fortes do mundo incentiva os investidores a fazer hedge (proteção) ante as perspectivas de inflação nos EUA e a isolar-se da queda da moeda norte-americana, avaliam os analistas. Para eles, o movimento do petróleo não está relacionado a fundamentos do mercado.
Há uma semana, o preço do barril do petróleo encerrou o dia em US$ 107,90, mas chegou a subir até US$ 108,18. O movimento de alta acompanhou a queda do dólar no mercado internacional. O fato é que o preço das commodities é cotado em dólares. Quando a moeda norte-americana perde valor, o preço dos produtos sobem para manter a equivalência de valor. Rumores de insolvência no Banco Bear Stearns ajudaram a piorar o humor dos investidores.
Com o aumento da aversão ao risco, provocado pelas incertezas sobre o desaquecimento econômico nos EUA, o dólar vem caindo frente a outras moedas. Nesta terça, o Banco Central Europeu avisou que não pretende "bancar" a desvalorização do dólar. O problema é que, com a perda de valor da moeda norte-americana, os produtos europeus ficam mais caros e, com isso, perdem competitividade no mercado internacional. A piora das condições no mercado externo derrubaram as bolsas no mundo todo.
Dólar derretido
Ministro da Fazenda, Guido Mantega afirmou, nesta terça-feira, que o "derretimento" do dólar é preocupante e precisa ser enfrentado. Reunido com a bancada do PMDB para discutir a reforma tributária, Mantega também reconheceu que não há garantias de que o Brasil não será afetado pela crise externa, embora esteja melhor preparado.
- A queda do dólar é um problema que nos preocupa... Esse é um problema que deve ser encarado. O dólar está derretendo e não é aqui só no Brasil - disse, sem mais detalhes.
O ministro acrescentou que o programa de recomposição das reservas internacionais continuará.