Os preços de aço na China vão continuar a enfraquecer no terceiro trimestre, conforme o setor enfrenta uma situação de aumento da oferta e retração da demanda, afirmou um executivo do Shaoguan Iron and Steel Group nesta sexta-feira.
– A indústria do aço entrou em uma longa queda. Algumas siderúrgicas já reduziram produção em junho. Os preços do aço devem provavelmente continuar caindo nos próximos três ou cinco meses. A maior incerteza vem do setor imobiliário e o crescimento da demanda de outros setores está desacelerando – disse Deng Yong, vice-diretor do departamento de desenvolvimento estratégico.
A Shaoguan Steel, siderúrgica de porte médio da China, detém uma participação de 20% no Guangdong Steel Group, no qual o Baosteel Group possui os restantes 80%. Os preços do aço na China enfraqueceram nas últimas semanas por conta das perspectivas de demanda mais baixa no mercado doméstico e com a remoção pelo governo de descontos para exportação de alguns produtos.
– As siderúrgicas estão enfrentando dificuldades, ou estão conseguindo um lucro minúsculo ou já estão no vermelho – disse Deng durante uma conferência da indústria. Ele acrescentou que os preços do minério de ferro no mercado à vista não estão caindo tão rápido quando os de aço.
Aumento no Brasil
Na contramão dos chineses, a siderúrgica brasileira Usiminas comunicou aos clientes sobre uma segunda rodada de aumento de preços em 2010 para todos os seus produtos de aço no mercado interno, disse uma fonte nesta quinta-feira. A empresa está aplicando um reajuste de 10,75%, depois de ter feito elevação de 11% a 15% em abril. Às 13h10, as ações preferenciais da Usiminas subiam 1,80%, cotadas a R$ 50,21. Enquanto isso, o Ibovespa marcava queda de 1,33%.
Em maio, o vice-presidente de Negócios da Usiminas, Sérgio Leite, havia afirmado em teleconferência que a empresa via espaço para novo aumento de preços no terceiro trimestre. Na ocasião, o executivo disse também que a siderúrgica estava atenta a oportunidades criadas pelo reaquecimento da economia brasileira, que impulsionou a demanda interna por aço após a forte crise vivida pela setor em 2009. Leite havia comentado, ainda, que havia espaço para alta de preços de aço de entre 10% e 15 por cento no terceiro trimestre, diante do aumento de custos com minério de ferro.
O reajuste de produtos siderúrgicos pela Usiminas acontece em meio a ameaças do governo de reduzir o imposto sobre o aço importado caso as produtoras locais elevem os preços. A inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) acelerou fortemente na leitura inicial de junho, com alta de 2,21% na primeira prévia, pressionada pela alta do minério de ferro.
O presidente da mineradora Vale, Roger Agnelli, alertou em 11 de junho sobre os riscos de uma eventual diminuição da tarifa de importação do aço pelo governo como forma de combater a inflação e rebateu críticas de que o aumento do minério esteja contribuindo para a alta dos preços.