Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Preço da carne dispara nos frigoríficos com aumenta da exportação

A situação de mercado, que decorre de uma queda na oferta de carne pela redução de abates, poderá durar pelo menos até o fim do ano. Os principais beneficiados são os grandes grupos como JBS, Marfrig e Minerva, mas pequenos e médios abatedouros também lucram, segundo especialistas

Terça, 27 de Setembro de 2016 às 12:53, por: CdB

A situação de mercado, que decorre de uma queda na oferta de carne pela redução de abates, poderá durar pelo menos até o fim do ano. Os principais beneficiados são os grandes grupos como JBS, Marfrig e Minerva, mas pequenos e médios abatedouros também lucram, segundo especialistas

 
Por Redação, com Reuters - de São Paulo
Os preços da carne bovina dispararam no mercado atacadista brasileiro nas últimas semanas. Tem sido um aumento que não foi acompanhado pelos preços pagos pelo boi gordo. Coloca as margens dos frigoríficos no positivo pela primeira vez em meses.
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O aumento nas encomendas de carne para exportação pressiona os preços, internamente
A situação de mercado, que decorre de uma queda na oferta de carne pela redução de abates, poderá durar pelo menos até o fim do ano. Os principais beneficiados são os grandes grupos como JBS, Marfrig e Minerva, mas pequenos e médios abatedouros também lucram, segundo especialistas. Os preços do traseiro bovino com osso, por exemplo, subiram mais de 24% desde o início de agosto. No período, atingiram uma mínima de quase dois anos. O preço de referência para o boi gordo, no mesmo mês, recuou 0,9%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A margem de comercialização de carne com osso, couro e outros derivados também aumentou. Estava em 0,3% no fim de julho, tendo saltado para 21,3% na segunda-feira, de acordo com índice da Scot Consultoria. — Na maioria dos meses de 2016, os frigoríficos trabalharam com margem abaixo da média — destacou Isabella Camargo. A analista de mercado, da Scot, falou à agência inglesa de notícias Reuters. A explicação para o aumento do spread está na redução dos abates em diversas unidades industriais nos últimos meses. O movimento ocorre em meio à alta de custos e queda na demanda de carne. Das 281 unidades frigoríficas existentes no país (com inspeção federal), 58 fecharam as portas entre 2015 e 2016. A contagem é da consultoria Agrifatto. Também há unidades iniciando férias coletivas ou realizando abates em dias intercalados, destacaram especialistas. — A queda no abate nos últimos meses enxugou a oferta de carne do mercado — disse a diretora da Agrifatto, Lygia Pimentel. Na outra ponta, os preços do boi gordo, que bateram recorde nominal histórico em abril, não acompanharam a alta da carne. Pesou a menor demanda pelas indústrias.

Principais frigoríficos

Após meses de margens muito apertadas, o aumento no preço da carne é uma boa notícia para os frigoríficos. Mas não traduz-se necessariamente no fim dos problemas do setor. A redução de atividade em unidades de grandes empresas do segmento foi uma solução encontrada para reduzir prejuízos em algumas regiões deficitárias. O que não elimina diversos gastos, como salários. — A gente não consegue avaliar ainda o custo das plantas paradas. Provavelmente eles vão ter dificuldade de diminuir custo fixo — disse Lygia Pimentel. A Marfrig, segundo maior frigorífico de bovinos do país, por exemplo, viu sua unidade Beef (de carne bovina e ovina) reduzir a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 27% no segundo trimestre deste ano, ante 2015, após fechamento de unidades e aperto nas margens operacionais. — A redução de margens e volume (de vendas de carne) levou à queda do Ebitda no trimestre — disse a empresa. Os números aparecem no relatório do segundo trimestre deste ano. O movimento dos grandes frigoríficos para ajustarem-se ao mercado pode beneficiar as pequenas e médias indústrias. “Onde há menor ociosidade”, disse a analista Agrifatto. Na avaliação da consultoria IEG FNP, as indústrias de pequeno e médio porte podem ganhar espaço no atual cenário. — Os (grandes) frigoríficos tentam de certa forma regular oferta (de carne), mas ainda existe concorrência. Frigoríficos menores começam a ganhar mercado — disse o diretor técnico da IEG FNP, José Vicente Ferraz. Segundo ele, cerca de metade do consumo interno de carne bovina do Brasil é abastecido por pequenos e médios frigoríficos.

Carne no varejo

Com os preços no atacado em ascensão, em breve a alta deverá chegar à rede varejista. A questão é saber quem irá absorver os valores maiores. Na visão do gerente de Inteligência de Mercado da Minerva Foods, um dos maiores grupos frigoríficos do país, Leonardo Alencar, uma "boa fatia" dos reajustes deverá ficar com os supermercados. — Talvez o varejo não consiga repassar isso para o consumidor final — disse ele. Na visão de Ferraz, da FNP, há pouco espaço para o consumidor final absorver aumento de preços na carne bovina. Há um cenário de inflação alta, desemprego e endividamento das famílias. — Agora o maior braço de ferro está sendo entre indústria e varejo — disse.
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