Israel advertiu o grupo Hamas de que "o céu cairá sobre eles" se ferirem o soldado capturado, depois do fim do prazo para o governo judeu aceitar uma troca de prisioneiros.
Três facções palestinas - entre elas o braço armado do Hamas, que assumiu o governo palestino recentemente - retiraram-se das negociações com os mediadores egípcios que tentavam conseguir a libertação do cabo israelense Gilad Shalit, disse um líder político do Hamas.
Israel rejeitou o ultimato palestino, que terminou às 6h (00h de terça-feira em Brasília), estabelecido pelas facções. Elas exigem que o Estado judeu liberte mil prisioneiros e disseram que "o inimigo vai ter toda a responsabilidade pelas futuras consequências" se não cumprir o pedido.
Israel disse que não negocia com os militantes, e o jornal Maariv publicou reportagem dizendo que o governo deu luz verde para o Exército lançar uma incursão mais profunda no norte de Gaza.
- O Hamas entende bem a mensagem firme do governo israelense de que o céu cairá sobre eles se ferirem Gilad Shalit - disse o ministro do Interior, Roni Bar-On, à Rádio Israel.
- Vamos responder de uma maneira que os palestinos ainda não viram se, Deus não permita, cumprirem sua ameaça - disse.
Uma autoridade dos Estados Unidos disse que Israel tem o direito de se defender, mas que Washington está dizendo para o primeiro-ministro Ehud Olmert "demonstrar moderação e não ferir civis".
O Hamas acusou Israel de ter lançado uma ofensiva para derrubar seu governo, que tem três meses e que o Estado judeu e potências ocidentais levaram à beira do colapso financeiro com o corte da ajuda.
SINAIS CONFLITANTES
O menor dos três grupos militantes, o Exército Islâmico, disse que não serão mais divulgadas informações sobre Shalit, de 19 anos, que foi capturado em uma ação no dia 25 de junho. Os grupos mandaram sinais conflitantes sobre o soldado.
- Se será morto ou se não será morto, não vamos divulgar qualquer informação... as discussões estão fechadas - disse Abu al-Muthana, porta-voz do Exército Islâmico.
- Não matamos prisioneiros. Nosso Islã exige que os tratemos bem e com justiça - disse depois. Ele recusou-se a dizer se Shalit está morto ou vivo.
Osama al-Muzaini, um dos líderes políticos do Hamas, disse que os grupos militantes retiraram seus representantes das negociações com os mediadores egípcios.
Ele comparou o destino de Shalit ao do piloto israelense Ron Arad, que está desaparecido desde que seu avião caiu no sul do Líbano, há 20 anos. Há crescente especulações dizendo que Arad está morto.
- Elas (as facções militantes) podem matá-lo (Shalit), levá-lo a outro país, ou escondê-lo. Todas as opções estão abertas - disse al-Muzaini.
Israel rejeita qualquer acordo e lançou sua primeira ofensiva em Gaza desde que se retirou do território, no ano passado. Agora, concentra tropas e blindados para uma possível ação terrestre mais ampla. Fontes da segurança palestina disseram que Israel aumentou o número de veículos armados no norte da Faixa de Gaza.
Uma pequena força israelense entrou no norte de Gaza em busca de explosivos e túneis, mas o Exército disse que isso não faz parte de uma incursão maior. Durante a noite, ataques aéreos israelenses no norte de Gaza mataram um militante.
Israel deu indícios de que pode matar líderes do Hamas se Shalit não for libertado.
Fontes do Hamas disseram que diplomatas ocidentais, que não foram identificados, disseram ao grupo que Israel preparou uma lista de 13 nomes, com o líder no exílio Khaled Meshaal no topo e que inclui também o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh e o ministro das Relações Exteriores, Mahmoud al-Zahar.
Fontes de segurança de Israel disseram que ainda há a opção do envio de uma força especial para tentar resgatar Shalit, mas que isso seria arriscado por causa das ruas estreitas de Gaza. O último soldad