A respeito do escândalo do tablóide inglês sensacionalista News of the World, de acordo com o El País, a sua prática de “ética escassa” , que lançava corriqueiramente de grampos telefônicos (leia mais neste blog) era conhecida pelas autoridades desde 2003, a partir de denúncias feitas pela deputada Rebekah Brooks – à época, Rebekan Wade – ex-executiva do grupo News Corporation, ao qual o The News of the World pertence.
A Scotland Yard já admite que alguns policiais receberam "pagamentos inapropriados" do periódico. A crise que eclodiu com as denúncias contra o The News of the World está pesando para Murdoch. O magnata é conhecido por sua participação ativa na política local, por meio de seus jornais. O trabalhista Neil Kinnock credita ao empresário a sua derrota nas eleições de 1992. No dia do pleito, um de seus jornais, The Sun, fez o pedido na primeira para que, em caso de Kinnock ganhar, a última pessoa que deixasse a Grã Bretanha "apagasse as luzes".
As investigações da Scotland Yard coincidem com o momento em que o grupo de Murdoch tenta comprar o canal de TV paga britânico BSkyB por aproximadamente US$ 14 bilhões. A repercussão também está tendo impacto junto aos patrocinadores. Várias empresas como a cooperativa Co-op, Ford, Vauxhall, Mitsubishi, o banco Lloyds e o Virgin Holidays já anunciaram que suspenderão suas campanhas no jornal.
Aqui, no Brasil...
O caso do tablóide de Murdoch suscita, aqui, no Brasil, algumas considerações. Tanto cá, como lá, há jornais e jornalistas que invadem impunemente a privacidade. E o acesso a informações protegidas por lei é feito via polícia, ou Ministério Público, apesar do segredo de justiça e do sigilo. A Globo, por ocasião da operação Satiagraha, é um exemplo local dessa mesma prática.
A pergunta que fica não é nova: até quando vamos conviver com essa ilegalidade no Brasil? Será que vamos chegar ao estágio da Grã Bretanha? Na Grã Bretanha, ao menos, a mídia assume a quem apóia politicamente. Aqui, com a maior hipocrisia, boa parte dos jornais diz-se neutro, mas faz oposição ao PT.
Práticas aéticas do tablóide eram conhecidas
Quinta, 07 de Julho de 2011 às 05:15, por: CdB