Rio de Janeiro, 06 de Maio de 2026

Praga de carrapatos atinge 30 cidades de São Paulo

Quinta, 29 de Setembro de 2005 às 08:43, por: CdB

Professores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de Piracicaba, foram a Brasília para tentar medidas de controle de capivaras em 30 municípios da região de Campinas e Piracicaba.

Para eles, o excesso de animais, hospedeiros do carrapato-estrela, que pode transmitir a febre maculosa, tem colocado em risco a saúde pública.

Em Piracicaba, apenas no mês de setembro foram registrados 80 casos suspeitos de febre maculosa, oito deles no campus da Esalq, cuja infestação por carrapato tem provocado prejuízos a alunos e professores.

Um menino de 7 anos, filho de um professor da Esalq, morreu vítima da doença.

Os professores se reuniram com diretores e técnicos do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Munidos de mapas, eles mostraram as áreas na região que concentram o maior número de capivaras.

Segundo o professor Álvaro Fernando de Almeida, especialista em manejo de fauna, o Ibama só libera a captura de animais silvestres para pesquisas. 

-  É muito animal para as pesquisas - resumiu ele, justificando a necessidade de uma licença excepcional do órgão.

O diretor de Fauna do Ibama, Rômulo Mello, diz que as capivaras são um dos vetores dos carrapatos, mas existem outros.

Para ele, capturar e abater as capivaras pode não resolver o problema de infestações.

O professor da Esalq reconhece que existem outros hospedeiros para o carrapato-estrela, como aves e cavalos, mas afirma que as capivaras são o principal foco neste momento.

Sem um acordo, ficou marcada nova reunião para a semana que vem entre Esalq, técnicos do Ibama e o Ministério Público Federal.

O Ibama já autorizou a captura de 100 capivaras como medida de controle da população no campus da Esalq. As que estiverem contaminadas com a bactérica da febre maculosa serão abatidas.

O risco da doença, entretanto, atinge outras áreas em 30 municípios, segundo o levantamento dos professores da Esalq.

Em Piracicaba, de janeiro a setembro foram registrados 180 casos suspeitos da doença com pelo menos três mortes - duas delas de pessoas que freqüentavam o campus da Esalq, utilizado para lazer aos finais de semana; entre as vítimas está o filho de um professor.

Dos casos, 80 foram registrados apenas no mês de setembro.

Em Campinas, devido ao grande número de telefonemas de pessoas em busca de informações sobre febre maculosa, a prefeitura começou a distribuir material explicativo na rede pública de saúde e no telefone de serviço 156.

Segundo a secretaria de Saúde, as solicitações aumentaram neste ano em relação ao ano passado - até este mês foram 208 pedidos de informação, contra 106 pedidos no ano passado.

Em 2004, Campinas registrou 105 casos suspeitos de febre maculosa, dos quais oito foram confirmados; neste ano, foram 125 registros, com dois casos confirmados. Em Valinhos, pelo menos duas pessoas morreram neste ano devido à doença.

Em Jaboticabal, a infestação de carrapatos atingiu o paço municipal, onde também há capivaras.

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