O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), protocolou nesta terça-feira, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, proposta de fiscalização da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura. Se a proposta for aprovada, a investigação será feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
A proposta se baseia em denúncia divulgada pela revista Veja, que traz entrevista com Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). “Jucazinho”, como é conhecido, denuncia casos de desvio de dinheiro na Conab, afirma que no ministério "só tem bandido" e acusa o ministro Wagner Rossi (indicado pelo PMDB) de lhe oferecer propina em troca do silêncio.
"As revelações feitas à imprensa indicam que o Ministério da Agricultura pode ter se transformado numa central de negócios, tendo a Conab como posto avançado para a formalização de transações escusas. Embora a corrupção no País esteja em tal nível que chega a causar desânimo, a luta contra esse mal deve prosseguir", defendeu Rubens Bueno, que também propõe a instalação, no Congresso, de uma ampla CPI para investigar os casos de corrupção no Governo Dilma.
"O TCU pode dar uma grande contribuição e auxiliar a Câmara no trabalho de passar a limpo toda essa história no Ministério da Agricultura", disse o líder do PPS.
Na entrevista à Veja, “Jucazinho” revelou que o esquema de desvio de recursos públicos na Conab é comandado pelo ministro Wagner Rossi e que há um “consórcio” entre PMDB e o PTB no controle do ministério. Entre as irregularidades denunciadas pelo irmão de Romero Jucá, um “acerto” com a Caramuru Alimentos para postergar o pagamento de uma dívida em troca de recebimento de propina. O senador Gim Argello (PTB-DF) também é citado na reportagem como homem influente na Conab e beneficiário de um esquema de vendo de terrenos da Conab abaixo do preço de mercado.
Oscar Jucá foi exonerado, semana passada, depois que Veja revelou ele havia autorizado um pagamento de R$ 8 milhões de reais a uma empresa fantasma que já foi ligada à sua família e que hoje tem como “sócios” um pedreiro e um vendedor de carros.
De acordo com Rubens Bueno, esse caso da Conab agrava a situação do governo, que, em sua avaliação, está corroído pelas denúncias de corrupção. “É preciso um pente-fino dos órgãos controladores. As irregularidades aparecem a toda hora. Achamos que esse governo precisa passar por uma auditoria geral”, criticou.
Da Redação/WS